UGT afirma ter 5 milhões de filiados

Nova central espera chegar aos 8 milhões até dezembro e conta receber R$ 6 milhões anuais do governo

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

Às vésperas da aprovação da medida provisória que dará às centrais sindicais 10% do bolo da contribuição sindical, que arrecada um dia de trabalho de todos os empregados registrados do País, a fusão de três centrais sindicais resultou na criação da União Geral dos Trabalhadores (UGT), em congresso iniciado ontem em São Paulo.A nova central nasce com cerca de 5 milhões de filiados e espera chegar a 8 milhões até o fim do ano - números dos organizadores do congresso. Com isso, ela integra desde o início o grupo de grandes entidades sindicais do País, logo atrás da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical.A UGT é resultado da fusão da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), da Social Democracia Sindical (SDS) e da Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT). O presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, foi eleito seu primeiro presidente.Com a aprovação da MP, a nova entidade deve passar a receber cerca de R$ 6 milhões por ano. Para Patah, no entanto, esse valor ainda é baixo.Da abertura do congresso, no Anhembi, participaram os ministros Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência, e Luiz Marinho, da Previdência, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Na platéia, lotada, sindicalistas levantavam faixas de protesto contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o peso da carga tributária.Para seus criadores, o objetivo da UGT é "resgatar a credibilidade do movimento sindical, cujas centrais se encontram partidarizadas e envolvidas num processo permanente de ocupação de cargos políticos, distantes de seu papel fundamental". Serra foi pela mesma linha, ao dizer que a UGT "será uma entidade menos político-partidária e mais preocupada em fazer sentir o peso do assalariado nas decisões sobre o rumo da política e da economia".Dulci garantiu que governo está disposto a dialogar com a UGT como tem feito com as outras centrais. "Entendo que esse é um momento histórico para o País, pois hoje, aqui, está nascendo um novo instrumento de luta da classe trabalhadora brasileira", disse. Para ele, a criação da UGT marca um momento de transformação das centrais no Brasil. "A fusão das três centrais sindicais resulta em uma entidade muito mais forte e poderosa para negociar com o governo e o patronato."Serra argumentou que "a discussão sindical não pode mais ficar restrita à questão patrão e empregador", mas deve estar aberta "a novas propostas de desenvolvimento social". Ele ressaltou que "o desenvolvimento não deve ficar restrito apenas às forças de mercado".

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