UFRJ diz que foi usada pela Light para pressionar o governo

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Lessa, disse nesta quinta-feira que o corte de energia em parte dos prédios da instituição foi uma tentativa da Light de pressionar o governo federal a pagar contas em atraso. ?Fomos usados?, disse Lessa, depois de participar de uma audiência pública sobre o apagão na Comissão de Minas e Energia da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).A Light cortou a luz da reitoria e do câmpus da praia Vermelha, na Urca, para cobrar por cinco meses de contas atrasadas. O reitor disse temer que a concessionária volte a cometer atos como o da última segunda-feira, classificado de ?truculentos? por Lessa. ?Tenho muito medo. Até porque eles já disseram que podem fazer de novo. Quando um País renuncia à sua soberania, tudo é possível?.Lessa avisou que não terá como continuar pagando as contas de luz caso haja aumento de tarifa por causa da alta do dólar. ?Em dezembro, nós pagávamos R$ 800 mil por mês. Hoje, são R$ 1,1 milhão?. O reitor disse ainda que ?se a moda pegar?, outros fornecedores com quem a UFRJ tem dívidas podem interromper os serviços. Seria o caso da Telemar e da Embratel.O gerente de contas governamentais da Light, Guilherme de Freitas, repetiu para os integrantes da comissão da Alerj que o corte de energia ocorreu porque a UFRJ não teria demonstrado intenção de quitar a dívida. ?Foi um corte simbólico?, afirmou. Lessa rebateu as informações, alegando que em três semanas à frente da reitoria, ele reduziu em dois terços a dívida da universidade. Ele teria quitado parte dos débitos com cinco fornecedores, inclusive a Light. Somente a Embratel não foi beneficiada com os pagamentos, segundo o reitor.Lessa lembrou que a universidade está em litígio com a casa de shows Canecão e um bingo, que ocupam um terreno em Botafogo, além de um estacionamento irregular que funciona na avenida Chile, no Centro. ?O caso não depende mais da UFRJ. Está nas mãos da Advocacia Geral da União?, disse.Para ele, a renegociação desses aluguéis poderiam render R$ 7 milhões anuais para a UFRJ. Além disso, a instituição tem somente R$ 3 milhões de renda própria e R$ 30 milhões, repassados pelo Ministério da Educação para o custeio.O presidente da Comissão de Minas e Energia, deputado Domingos Brazão (PMDB), disse que os parlamentares estudarão mecanismos a fim de impedir cortes de energia e serviços essenciais em órgãos públicos, como hospitais.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.