UFRJ começa a definir quem substituirá Vilhena

Depois de quatro anos de polêmicas envolvendo o reitor José Henrique Vilhena, a maior universidade federal do País, a UFRJ, inicia nesta terça-feira o processo que vai decidir quem ficará à frente da instituição a partir de julho.Desta terça até quinta-feira, professores, alunos e funcionários vão escolher os nomes que entrarão numa lista tríplice a ser enviada para apreciação do ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Entre os candidatos, o favorito é o decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), Carlos Lessa, um dos principais opositores de Vilhena, a quem considera o reitor mais impopular desde o regime militar.Aos 65 anos e há 23 na UFRJ, o professor quer dar poder aos órgãos colegiados, que não foram ouvidos pelo atual reitor nos últimos anos, e devolver à universidade o prestígio que perdeu. ?A ilegitimidade e a truculência do reitor deixou a UFRJ congelada. Temos que restaurar a normalidade, apagar aquele episódio horroroso do vestibular?, afirmou, referindo-se à entrada da polícia no campus para garantir a realização das provas, mesmo depois de o Conselho de Ensino de Graduação (Ceg) ter decidido cancelá-las por conta da greve dos professores.O resultado foi o cancelamento do concurso, ferimentos em estudantes e funcionários e o maior índice de abstenção da história da UFRJ ? 30% dos inscritos não fizeram os testes, remarcados para quatro meses depois da data original.O prestígio de Lessa, no entanto, não lhe garantirá o cargo. A opinião dos cerca de 3 mil professores, 30 mil alunos e 9 mil servidores será encaminhada ao ministro Paulo Renato Souza, que dará a palavra final. E os colegiados podem ainda escolher uma pessoa para compor a lista, mesmo que ela não tenha passado pela consulta à comunidade acadêmica.Entre os que viram o governo optar por Vilhena em 1998, embora ele tenha sido o último colocado na lista tríplice, existe o temor de uma nova escolha que não vá ao encontro da vontade da maioria ? há quatro anos, a decisão do MEC provocou protestos que impediram a entrada do reitor em seu gabinete e o forçaram a colocar um guarda armado na reitoria para garantir a segurança.?O Lessa é uma pessoa de muito prestígio, mas o ministro já demonstrou sua vontade de esvaziar a eleição. Isso faz parte da política dele?, afirmou o professor Antônio Cláudio de Sousa, representante do Centro de Tecnologia (CT), no Ceg.?O ministro deixou claro que vai escolher aquele que mais se aproxima das diretrizes do MEC?, acredita Lessa. Os outros candidatos são os professores Eloy Eharaldt, do Departamento de Tecnologia da Construção, e Person Silva, da Educação Física. Eharaldt defende a criação de uma ouvidoria e a contratação de professores, e Silva prega a gestão participativa na universidade.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.