UFRJ apresentará sugestões para tornar aviões mais seguros

A Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresentará à Varig e à Embraer sugestões para mudanças radicais na fabricação de aviões. A nova concepção foi elaborada a partir dos atentados terroristas do dia 11, nos Estados Unidos. As duas principais propostas são o isolamento total da cabine dos pilotos e o monitoramento, por terra, da comunicação interna dos aparelhos.Para o pesquisador sênior da Coppe Moacyr Duarte, de 43 anos, especialista em sistemas emergenciais, a simples blindagem das cabines não traria a segurança necessária para os vôos. "A cabine deve ter uma porta independente para os pilotos. O acesso físico só seria possível com o avião pousado", defende ele, que presta consultorias para empresas como a Petrobrás e a Eletronuclear.Uma das vantagens, afirma o pesquisador, é que possíveis seqüestradores não teriam sequer como saber o verdadeiro destino do vôo, uma vez que os instrumentos de navegação estariam isolados.Outra alteração proposta pelo pesquisador, o monitoramento das comunicações internas do avião, permitiria a bases terrestres terem conhecimento sobre o que se passa nos vôos. "Assim, seria impossível manter segredo sobre um seqüestro", argumenta.As idéias serão discutidas na terça-feira com dois executivos da Varig, para a análise de viabilidade técnica. O interesse partiu do presidente da companhia, Osires Silva.Duarte compara os eventos do dia 11 com a crise do petróleo na década de 70, que obrigou a indústria automobilística a rever os conceitos. "Antes, os seqüestradores barganhavam com a vida dos passageiros. Agora, eles não querem manter ninguém vivo", argumenta o pesquisador.Por isso, prossegue, os métodos convencionais de segurança não são suficientes para evitar atos terroristas como os praticados em Nova York e Washington. Nos seqüestros tradicionais, os criminosos precisam do que o pesquisador chama de "armas de intimidação", como armas de fogo e explosivos, mais fáceis de serem descobertos por detectores de metais ou raio-x.Num seqüestro suicida, afirma Duarte, especialistas em artes marciais poderiam usar objetos prosaicos, como cordas de violão, para matar pessoas e dominar uma aparelho. "Na nossa análise, não cabe, simplesmente, aumentar a segurança nos aeroportos. A revista ficou inútil para os casos em que o avião será usado como vetor de destruição", afirma.

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