UE quer debate sobre solução global para crise

Segundo presidente da Comissão Européia, turbulência internacional guiará encontro que será realizado no Rio

Daniele Carvalho, Rio, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

A crise financeira internacional irá nortear as discussões da segunda cúpula Brasil-União Européia, amanhã e terça-feira no Rio, frisou o presidente da Comissão Européia (CE) José Manuel Durão Barroso. Ontem, em entrevista no Rio, no Copacabana Palace, onde será realizado o evento, ele afirmou que a resposta para a crise internacional tem de ser global."Ninguém pode pretender estar totalmente a salvo dessa crise. Ou nadamos juntos ou nos afogamos juntos", afirmou Barroso, acrescentando que o encontro de cúpula deverá também se dedicará ao salvamento da Rodada de Doha, para definição de novas relações comerciais entre os países.O diplomata acredita que a crise pode criar boas oportunidades para o sucesso de Doha. Em sua avaliação, os países podem estar mais dispostos a dialogar e discutir concessões para incrementar o comércio internacional. "Quero acreditar que essa crise pode trazer oportunidades. Esta crise nos mostrou que estamos muito interdependentes. Por isso penso que podemos ser sucesso na Rodada de Doha." A cúpula reunirá no Rio os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França Nicolas Sarkozy. Na pauta, estão acordos de cooperação na área de Ciência e Tecnologia, e Desenvolvimento Humano e Sustentável. Na área de energia, Brasil e Portugal assinarão parceria científica para o setor de biocombustíveis.O presidente da Comissão Européia destacou que 25% das exportações brasileiras são feitas para a União Européia e que o Brasil recebeu mais investimentos dos países europeus que as demais nações do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) juntas. "O Brasil tem uma participação cada vez maior na estrutura da economia mundial e o de ajudar na cooperação Norte-Sul", avaliou Barroso.No que diz respeito às relações Brasil-Portugal, Barroso afirmou que os dois países devem aproveitar seus laços estratégicos para incrementar o comércio. Perguntado sobre a possibilidade de o Brasil integrar o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), desejo que já foi expresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o diplomata frisou que foi um dos primeiros a defender publicamente a indicação do País. "O problema não está na indicação do nome do Brasil. O problema é que não existe um consenso entre os países membros do conselho de que seja necessária uma reforma", acrescentou ele. Em relação ao risco de um endurecimento das regras de imigração por parte dos países europeus, que já sofreram algumas alterações este ano, José Manuel Durão Barroso afirmou que houve uma interpretação equivocada por parte de alguns países da América Latina. "Somos 27 países e estamos unificando as regras de imigração. Não houve um endurecimento, mas uma unificação. Queremos incentivar a imigração legal. Queremos coibir a imigração ilegal, que, em alguns casos, tem a participação de grupos criminosos", defendeu ele.

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