UE não pode 'fechar os olhos' no caso Battisti, diz Itália

Ministro da Justiça diz que o italiano 'é um vulgar assassino, condenado por um país democrático e soberano que dispõe de prisões nas quais a legalidade é máxima'

Efe,

08 de janeiro de 2011 | 09h21

ROMA - O ministro da Justiça italiano, Angelino Alfano, afirma que "a União Europeia (UE) não pode fechar os olhos" para o caso do ex-ativista de esquerda Cesare Battisti, cuja extradição à Itália foi negada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim manifesta Alfano em entrevista publicada neste sábado, 8, pelo jornal italiano Il Messaggero.

 

"Sendo um dos países fundadores da Europa vemos negadas por parte do Brasil as garantias jurisdicionais sem que a Europa diga nada?", acrescenta Alfano na entrevista. O ministro garante que "Battisti é um vulgar assassino, condenado por um país democrático e soberano que dispõe de prisões nas quais a legalidade é máxima" e apela ao "respeito" do tratado de extradição vigente com o Brasil.

 

Segundo Alfano, a resolução do ex-presidente Lula de não conceder a extradição de Battisti foi motivada pela "influência de sua proveniência política e dos ambientes de decisão do partido ao qual pertence". O ministro da Justiça nega, além disso, que este caso possa influenciar nas relações econômicas entre Itália e o Brasil, já que se trata de dois "setores absolutamente independentes".

 

Em 1993, Cesare Battisti foi julgado à revelia por um tribunal italiano que o considerou culpado pelos assassinatos de dois policiais, um joalheiro e um açougueiro, perpetrados na Itália entre 1977 e 1979. Na época em que foi processado, Battisti vivia na França, onde havia obtido o status de refugiado político, mas fugiu em 2004, quando o Governo francês se dispôs a revogar essa condição para entregá-lo à Itália.

 

Em março de 2007, ele foi detido no Rio de Janeiro. Segundo a Polícia, foi localizado durante uma operação conjunta de agentes do Brasil, Itália e França. Desde então, Battisti permanecia preso Brasília, a partir de onde fala de sua inocência e garante ser vítima de uma "perseguição política" por parte do Governo italiano.

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