UE libera compra de milho transgênico

A Comissão Européia, braço executivo da União Européia (UE), aprovou hoje o pedido da Syngenta para vender um tipo de milho geneticamente modificado no bloco. Com a decisão, a Comissão acaba com a moratória imposta pela UE, em 1998, contra a comercialização de novos produtos transgênicos. A Comissão deu a palavra final sobre o assunto depois que os ministros de Agricultura europeus não conseguiram chegar a um consenso sobre a liberação em várias reuniões realizadas de dezembro do ano passado ao final de abril.O milho transgênico aprovado hoje é para consumo humano e a autorização de comercialização será válida por dez anos. O produto, desenvolvido para ser resistente a um tipo de inseto, será importado pela Syngenta e não poderá ser cultivado na Europa, embora um pedido para tal esteja pendente. A empresa esperava a aprovação do milho desde 1999.A Comissão diz que, com o fim da moratória, os consumidores terão a chance de escolher se querem se alimentar com transgênicos. Segundo o comissário para Assuntos do Consumidor da UE, David Byrne, "o milho (da Syngenta) recebeu a mais rigorosa avaliação do mundo e foi classificado como tão seguro quanto qualquer milho convencional. Não é mais uma questão de segurança alimentar, mas de escolha do consumidor", disse.Os analistas dizem que, mesmo com o fim do embargo, a formação de um mercado consumidor de transgênicos será complicada na UE. O bloco tem regras bem rígidas para a comercialização e produção desse tipo de alimento. Qualquer produto que contenha uma quantidade ínfima de organismos transgênicos tem de trazer esse informação no rótulo, por exemplo.Rainer von Mielecki, porta-voz da Syngenta disse que a decisão é o primeiro de muitos passos no processo regulatório. "Se os alimentos transgênicos serão aceitos ou não dependerá dos consumidores", disse. Pesquisas recentes indicam que dois terços dos consumidores europeus rejeitam os transgênicos.O porta-voz disse ainda que não haverá impacto financeiro imediato das vendas do milho na Europa. Apenas 3% das vendas anuais da Syngenta - cerca de US$ 198 milhões - são geradas por produtos transgênicos.Já a Comissão Européia (enquanto enfurece organizações ambientalistas como a Amigos da Terra e o Greenpeace) resolve um problema com os Estados Unidos, que tinha aberto uma contestação na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o embargo europeu aos transgênicos. A Comissão tem mais 34 pedidos de liberação de transgênicos para analisar.

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