UDR quer participar do projeto de reforma agrária do governo

Produtores liderados pela União Democrática Ruralista (UDR), entidade que reúne fazendeiros e proprietários rurais, divulgaram nesta quarta-feira, em Cuiabá, documento propondo participação no projeto de reforma agrária do governo para conter a ofensiva do Movimento dos Sem-Terra (MST) às invasões de prédios públicos e propriedades privadas.A mobilização de abrangência nacional foi a saída encontrada pelos ruralistas, que denunciam o presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, de omissão perante atos ilegais dos sem-terra.O documento, que será entregue ao ministro Miguel Rosseto, ao contrário do que se esperava, não propõe a criação de milícias ou uso de armas para proteger as propriedades contra as invasões.As sete entidades que assinam o documento, entre as quais a Sociedade Rural Brasileira (SRB), pedem que o governo "tome providências no sentido de evitar o radicalismo, fazendo com que produtores, no desespero, deixem de produzir para pensar como defender sua propriedade". "Os produtores chegaram numa situação limite", disse o presidente da SRB, João de Almeida Sampaio Filho.Segundo o presidente da UDR do Oeste Paulista, Luís Antônio Nabhan Garcia, o MST exerce influência sobre o Ministério do Desenvolvimento Agrário no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "Nós nunca ficamos tão expostos às investidas do MST como agora", disse ele. "Existe uma conivência com as atitudes do MST. Não podemos concordar com essa parcialidade do ministro e do Incra em todas as superintendências".Para o líder da UDR, a participação dos produtores rurais no processo da reforma agrária é uma medida inevitável, pois irá reduzir as invasões de propriedades, depredação de prédios públicos e até mesmo seqüestro de funcionários do governo."A reforma agrária acabou no Brasil, pois, em primeiro lugar, o governo precisa saber quem realmente é o sem-terra", afirmou Nabhan. De acordo com o pecuarista Ricardo Castro Cunha, presidente da Associação dos Produtores Rurais do Mato Grosso, a idéia da primeira reunião, que resultou na "Carta de Cuiabá", é oferecer ao governo Lula propostas para a questão agrária. "Estamos preparados para sentar com o governo", disse ele.A direção do MST em Mato Grosso reagiu com indignação à iniciativa dos ruralistas. Segundo o coordenador estadual do movimento, Altamiro Stochero, a participação dos produtores rurais no projeto de reforma agrária vai gerar tensão no campo e aumentar a violência."Somos contra a violência, e o que nós estamos fazendo são mobilizações para que o processo de reforma agrária se acelere e, por isso, vamos continuar lutando, disse Stochero . "Não é uma ameaça pura e simples que vai inibir nossas ações", afirmou.O MST afirma que vai manter o calendário de mobilização em abril e garante resistir às ameaças. "Nosso movimento é pacífico, mas tememos a violência na zona rural no mês de abril e cobramos medidas preventivas", alertou o líder do MST. Na avaliação do líder do MST, a reação dos ruralistas poderá provocar uma "desestabilização no campo".De acordo com o MST, em Mato Grosso 41% das propriedades rurais acima de 10 mil hectares estão nas mãos de 1% dos proprietários. "Essas terras, que de fato pertencem à União, foram griladas pelas pessoas que agora se dizem proprietárias", afirmou Stochero.

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