Twitter marca como ‘enganosa’ publicação de Bolsonaro sobre tratamento precoce para covid-19

Twitter marca como ‘enganosa’ publicação de Bolsonaro sobre tratamento precoce para covid-19

Empresa diz que diz que postagem violou as regras da plataforma

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2021 | 20h52

BRASÍLIA - O Twitter marcou como “enganosa” uma postagem do presidente Jair Bolsonaro sobre supostos estudos clínicos de tratamento precoce para covid-19. Cientistas alertam que esse tipo de receituário não tem eficácia comprovada.

A plataforma informou que a postagem “violou as regras do Twitter sobre a publicação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à covid-19”. Apesar disso, a plataforma determinou que “pode ser do interesse público que esse Tweet continue acessível”. Por isso, a publicação continua no ar.

Em meio à revolta com o colapso em Manaus por falta de oxigênio para pacientes com covid-19, Bolsonaro publicou nesta sexta-feira, 15, um vídeo do jornalista Alexandre Garcia falando sobre o suposto tratamento precoce, acompanhado de um texto alegando que o uso de medicamentos pode “reduzir a progressão da doença, prevenir a hospitalização e estão associados à redução da mortalidade”.

O presidente chegou a dizer que precisou intervir em Manaus porque a cidade não estava fazendo “tratamento precoce”, defendendo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que deu declarações nesse sentido, apesar da falta de evidências da eficácia do uso desses medicamentos. 

Alertas semelhantes já foram aplicados em postagens antigas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recentemente banido da rede social. O Twitter encerrou a conta de Trump após sucessivas declarações infundadas do americano sobre fraudes nas eleições e mensagens relacionadas à invasão ao Congresso americano no dia 6 de janeiro, empreendida por seus apoiadores. A plataforma viu risco de incitação à violência.

A decisão do Twitter sobre Trump foi criticada por integrantes do governo Bolsonaro. O próprio presidente é um admirador do republicano, que também promoveu desinformação sobre a covid-19.

Hoje, o diretor executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), Mike Ryan, alertou para a situação em Manaus e disse que é “muito fácil” jogar a responsabilidade da crise sobre a nova variante do vírus encontrada na região. “Nós precisamos ser capazes de aceitar, como indivíduos, como comunidades e governos, nossa parte da responsabilidade para o vírus sair do controle”, afirmou.

Essa não é a primeira vez que Bolsonaro tem publicações em redes sociais marcadas como falsas ou enganosas. Em abril do ano passado, em meio ao primeiro pico da doença no País, o Instagram marcou uma publicação do presidente, que tinha informações erradas sobre o número de mortes por covid-19 no Ceará, com um “alerta de fake news”.

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