TV Globo rebate acusação de privilégio

Ministro da Justiça chegou a pedir desculpas pela preferência dada à emissora no registro da operação da PF

Eduardo Reina e Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

11 de julho de 2008 | 00h00

O diretor-executivo de Jornalismo da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, rebateu acusações feitas pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, de que a emissora foi privilegiada com informações sobre a operação policial que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, o empresário Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. "É equivocada a afirmação de que a Globo ?obteve acesso exclusivo ao momento das prisões e também pôde filmá-las?. A TV Globo não ?obteve? nada; deu um furo, depois de meses de trabalho, e graças à credibilidade de que dispõe na sociedade e em múltiplas fontes de informação nas três esferas do Poder Público. A TV Globo também não obteve autorização alguma para filmar a ação. A Constituição Brasileira, no artigo 5º, estabelece claramente que ?é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional?. Portanto, a TV Globo jamais pediria autorização à autoridade policial para filmar ação que estivesse sendo presenciada por ela", disse, por meio de nota.Na quarta-feira, Tarso pediu desculpas aos meios de comunicação por considerar que a TV Globo foi privilegiada com informações sobre as prisões. Ele classificou alguns atos como excessivos e com efeitos de espetacularização. "Nenhuma empresa jornalística deveria ser avisada. Peço desculpas às emissoras que não foram. Nenhuma deveria receber informações. Não foi uma determinação do diretor ou desse ministro. A obrigação de vocês é buscar o furo, isso nós respeitamos. O que temos é uma norma interna do tratamento adequado do direito dos indivíduos", disse o ministro, que determinou abertura de sindicância interna para verificar por que o manual de instrução da Polícia Federal teria sido violado.Sobre o pedido de desculpas do ministro, o executivo disse entender que Tarso foi injusto com todos. "Com a TV Globo, por confundir um furo, conseguido graças a um minucioso trabalho de reportagem, com um aviso. Com as demais emissoras, por acreditar que elas só sejam capazes de dar furos se, antes, forem avisadas."Kamel rebateu ainda informação veiculada ontem de que o repórter César Tralli teria um parente na cúpula da PF e, por isso, saberia com antecedência das ações. Também divulgou-se que Tralli iria depor na PF. "É absolutamente falsa a afirmação segundo a qual o jornalista César Tralli tem um parente de primeiro grau na cúpula da PF. Nem de primeiro, nem de grau algum. Nem na cúpula da Polícia Federal, nem em nenhum dos seus diversos departamentos."A PF informou que vai avaliar a atitude de policiais que não teriam cumprido procedimentos da corporação ao autorizar a presença da imprensa no cumprimento de mandados de prisão. A princípio, Tralli não será convidado a depor. Também deve ser aberto processo administrativo para apurar a invasão, por engano, do consultório odontológico de Fabio Bibancos, na Vila Mariana, em São Paulo. Agentes confundiram endereço do doleiro Marco Matalon com o do dentista. Na manhã do dia 8, os policiais chegaram ao local onde funciona há 12 anos o Instituto Bibancos de Odontologia. A casa teve a porta quebrada. "Não havia qualquer autorização judicial para arrombamento. Foram atendidos pelo interfone pela caseira. Perguntaram se se encontrava o senhor Marco Matalon. Foram informados que não existia qualquer pessoa com esse nome e que se tratava de uma clínica odontológica", explicou o advogado de Bibancos, Sérgio Pinto.Muito abalado e sob efeito de remédio, o dentista não falou. Seu advogado disse que somente depois de ter acesso ao processo tomará medida judicial. Os policiais levaram disco rígido, notebooks e documentos de Bibancos, de sua mulher, a dentista Miriam, e dos demais funcionários. Na casa funciona a clínica dentária, a organização Turma do Bem e a Escola do Pensamento em Saúde. A única ligação entre os fatos que originaram o mandado de apreensão no consultório, segundo o advogado, é que uma das fundadoras da Turma do Bem, Muriel Matalon, é filha do doleiro procurado. Em 2006, Muriel teria deixado a direção da organização. À Justiça, a PF informou que foram realizadas várias diligências ao local e que a estrutura da casa, "com muros altos e câmeras de vigilância, levantava suspeitas de que o consultório poderia ser usado como fachada para atividades ilegais, como lavagem de dinheiro". FRASESTarso GenroMinistro da Justiça"Nenhuma empresa jornalística deveria ser avisada. Peço desculpasàs emissoras que não foram. Não foi uma determinação do diretor ou desse ministro. A obrigação de vocês é buscar o furo, isso nós respeitamos"Ali KamelDiretor-executivo de jornalismo da Central Globo de Jornalismo "É equivocada a afirmação de que a Globo ?obteve acesso exclusivo ao momento das prisões e também pôde filmá-las?. A TV Globo não ?obteve? nada; deu um furo, depois de meses de trabalho"

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