Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

TV em excesso pode comprometer atenção das crianças

Crianças de até três anos de idade queassistem à televisão em excesso têm mais chance de desenvolverproblemas de concentração quando chegam à idade escolar, porvolta dos sete anos. Esta é a conclusão de um estudo publicadona edição de abril da revista norte-americana especializada empediatria Pediatrics. O estudo sugere que a TV pode superestimular o cérebro emdesenvolvimento. Para cada hora em frente da TV por dia, doisgrupos de crianças, com idades variando de um a três anos,tiveram 10% de aumento no risco de ter problemas aos sete anos.A descoberta confirma uma pesquisa anterior, segundo a qual atelevisão diminui a atenção das crianças, e reforça arecomendação da Academia Americana de Pediatria para quecrianças com menos dois anos não assistam à televisão. "Na verdade existem várias razões para crianças não verem TV.Outros estudos mostraram que isto está associado com a obesidadee a agressividade", disse um dos autores do estudo, Dr. DimitriChristakis, pesquisador do Hospital Infantil e Centro MédicoRegional de Seattle. Os pesquisadores não souberam quais programas as crianças viam mas Christakis disse que o conteúdo não é o problema. A questãoé que as imagens fantasiosas típicas da maioria dos programas deTV podem alterar o desenvolvimento normal do cérebro. "O cérebrorecém-nascido se desenvolve rapidamente entre os primeiros doise três anos de vida. Nós sabemos, a partir do estudo em ratosrecém-nascidos, que, se expostos a diferentes níveis de estímulo a arquitetura do cérebro será diferente", disse o médico. Essa estimulação excessiva pode criar hábitos da mente que, alongo prazo, podem ser prejudiciais, disse Christakis. Se ateoria for verdadeira, as mudanças no cérebro podem serpermanentes, mas as crianças com problemas de atenção podemaprender a compensar as dificuldades, ele disse. A AcademiaAmericana de Pediatria alertou em 1999 que crianças com menos de2 anos não deveriam assistir à televisão por causa dos efeitosna formação do cérebro e no desenvolvimento social, emocional ede suas habilidades cognitivas. No editorial da Pediatrics, a psicóloga educacional Jane Healydisse que o estudo "é importante a longo prazo", mas precisa seracompanhado para confirmar e explicar melhor os mecanismosenvolvidos. Jennifer Kotler, diretora assistente de pesquisa no SesameWorkshop, que produz programas de televisão educativos, comoVila Sésamo, questionou se os resultados da pesquisa publicadana Pediatrics se aplicavam à programação educativa. "Nós nãoignoramos a pesquisa, mas é preciso mais dados sobre variáveisque poderiam afetar o impacto da exposição precoce à televisão,inclusive se ver tv junto com os pais ou o conteúdo fazemdiferença, pois há muitas pesquisas que apontam os benefícios deprogramas educativos", disse Jennifer.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.