TV Cultura obtém liminar contra greve

Decisão impede radialistas de barrarem o acesso ao prédio

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

A Fundação Padre Anchieta, mantenedora da Rádio e TV Cultura, obteve liminar na Justiça do Trabalho que proíbe grevistas de impedirem, por meio de piquetes, a entrada de funcionários no prédio da emissora. Os radialistas da fundação decidiram entrar em greve na última sexta-feira e estão parados desde segunda-feira. A liminar concedida ontem estabelece uma multa de R$ 10 mil, caso os manifestantes barrem a entrada dos demais funcionários ao prédio da fundação, que está localizado no bairro da Água Branca, na capital paulista. De acordo com a juíza responsável pela liminar, a decisão teve por base "a proteção do direito à posse e livre uso do estabelecimento, assim como do direito de ir e vir de seus empregados e terceiros". A fundação diz ter tentado, sem sucesso, todos os recursos para criar uma proposta que satisfaça aos grevistas. A entidade se comprometeu a pagar um reajuste salarial de 6,05% retroativo ao mês de maio, superior aos 5,83% previstos em convenção coletiva da categoria. A proposta deixou de fora um abono de 35% que estava acordado. A fundação argumenta que o abono não foi autorizado pela Comissão de Política Salarial do governo estadual. "Nós fizemos tudo o que foi possível na negociação", afirmou o diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta, Paulo Markun. Os grevistas, entretanto, disseram que só vão considerar válida a liminar quando a receberem de um oficial de Justiça. Ontem à noite, os radialistas disseram ter recebido apenas uma cópia do documento impressa da internet, das mãos do advogado da fundação. Além disso, eles contestam a versão de que teriam impedido os funcionários de entrarem no prédio. Segundo o diretor coordenador do Sindicato dos Radialistas de São Paulo, Sérgio Ipoldo, que é funcionário da Cultura, instalou-se apenas um varal e cadeiras em frente à entrada, exigindo que os funcionários contornem a área de acesso ou utilizem outro portão. "E, nesse trajeto, tentamos fazer um trabalho de convencimento para que não entrem", justificou o diretor do sindicato. De acordo com ele, a categoria está disposta a negociar o pagamento do abono, mas espera que a fundação lhe apresente uma proposta que de fato compense o pagamento do benefício.

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