TV Brasil atinge menos de 1% do País

Após 1 ano de vida, sinal aberto da emissora, bancada com R$ 350 milhões do governo, só chega a 52 municípios

Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

A TV Brasil, emissora estatal federal, que faz um ano esta semana, planeja instalar, a partir de 2009, 39 repetidoras, para espalhar pelo País seu sinal aberto, que atualmente só chega a Rio, Maranhão e Brasília, e entra em São Paulo a partir de terça-feira só por recepção digital. As retransmissoras anunciadas pela presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), jornalista Tereza Cruvinel, se somarão a uma rede de 24 televisões públicas que compartilhará um mínimo de 10 horas de programação diária. Elas podem engrossar a lista de polêmicas que cercaram a "TV Lula" - como o PSDB e o DEM a batizaram, acusando-a de oficialismo - e envolveram a saída de diretores por divergências, um editor denunciando suposta censura e até uma greve de funcionários."Há localidades do Brasil aonde a rede pública não chega", diz Tereza. "Nesses lugares, estamos requisitando canais analógicos de retransmissão. É só um transmissor, e aí você faz um acordo com alguém que tenha uma torre ou um prédio elevado, instala e retransmite a programação naquela área." Ela estima em R$ 800 mil o custo de cada retransmissora. O orçamento da empresa é de R$ 350 milhões, valor que deverá ser mantido em 2009. Somado aos cerca de R$ 20 milhões de patrocínios e prováveis R$ 80 milhões da Contribuição para a Comunicação Social, a ser deduzida do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) e ainda a ser regulamentada, deverá garantir recursos para a empresa tocar seus planos, mesmo em tempos de crise econômica. No total, a EBC está investindo R$ 100 milhões em equipamentos. Tem 1.440 funcionários, dos quais 250 na TV Brasil.Atualmente, a TV Brasil só atinge a maior parte do território nacional por antena parabólica. Seu sinal aberto chega a menos de 1% das cidades: apenas 52 dos 5.564 municípios brasileiros. O público potencial é de pouco mais de 26 milhões de telespectadores, mas a audiência só supera o traço em alguns programas especiais.Criada pela fusão da estatal Radiobrás (criada pela ditadura militar para reunir emissoras oficiais de rádio e um canal de TV em Brasília) com a TV Educativa, que tinha canais no Rio e no Maranhão, a nova emissora começou transmitindo para essas praças em VHF, UHF e emissoras a cabo. Levou um ano para montar uma estrutura que lhe permitisse colocar no ar seu canal aberto em São Paulo.BALANÇOA emissora viveu um parto sobressaltado. No começo, preencheu sua grade mantendo muitos programas de suas antecessoras. "Tivemos resultados bastante críticos no primeiro semestre", conta Tereza.Depois da aprovação, em março, a estatal viveu a incerteza da incorporação da Radiobrás pela EBC. "Enquanto a EBC não incorporou a Radiobrás, não teve orçamento, não teve quadro de pessoal e seus diretores não puderam praticar nenhum ato de gestão." Ela ressalta que a EBC existia nominalmente e seu orçamento era o da Radiobrás. Depois da incorporação, divergências internas levaram à saída de Orlando Senna do cargo de diretor-geral, e de Mário Borgneth da diretoria de Relacionamento e Rede. "Foi um momento muito ruim", diz Tereza. Ainda no primeiro semestre, o jornalista Luiz Lobo, então editor-chefe do Repórter Brasil, foi demitido e denunciou supostas pressões do Palácio do Planalto para censurar matérias sobre temas que desagradariam ao governo.Em 29 de outubro, funcionários da EBC (basicamente, ex-integrantes da Radiobrás, incluindo rádios controladas pela empresa) decidiram entrar em greve. O movimento durou apenas um dia, mas o problema que o gerou permanece: a diferença salarial entre os empregados de carreira da antiga estatal, com piso para repórteres de R$ 2.760, e os contratados já pela nova empresa, que ganham até R$ 7 mil. Uma comissão de empregados ainda discute a questão com a direção da EBC.

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