Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Turbulência política preocupa Levy

Para ministro, é preciso evitar que crise de governabilidade afete a economia; prioridade é blindar LDO e orçamento de 2016

João Villaverde, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2015 | 02h04

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, está preocupado com um possível contágio da turbulência política no quadro econômico brasileiro. Ontem, cumpriu longa agenda interna no ministério e afirmou a interlocutores diretos que "turbulências políticas são passageiras, mas uma contaminação na economia pode gerar efeitos prolongados".

Levy conversou ao longo do dia com o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, depois de cancelar uma agenda fora de Brasília. Os dois titulares da área econômica estão empenhados na formulação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2016, que precisa chegar ao Congresso até o dia 31. Levy iria se encontrar ontem com governadores e secretários de Fazenda do Centro-Oeste, mas o encontro foi cancelado para o ministro se concentrar na agenda econômica em Brasília, em dia sem a presença na capital federal da presidente Dilma Rousseff e do vice, Michel Temer.

"Precisamos trabalhar com serenidade, mas também com firmeza, para que a turbulência política não contamine o quadro econômico", disse Levy a interlocutores. A agenda do ministro na quinta-feira terminou na madrugada de ontem e ele voltou para seu gabinete logo pela manhã.

Blindagem. A todos os secretários da pasta, Levy tem pregado "serenidade" para que as agendas do ajuste fiscal, ainda em negociação com o Congresso, e do crescimento, embutida na formulação do Orçamento de 2016, fiquem blindadas da crise política. A julgar pelos pedidos feitos à equipe, Levy tem levado muito a sério a agenda fechada com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) na terça-feira.

Na ocasião, ambos discutiram ações para a política econômica em áreas como infraestrutura, política social e crescimento, além do ajuste fiscal em si. Após o encontro, Renan afirmou: "Tenho feito críticas ao ajuste fiscal, é preciso ir além do ajuste fiscal, que nós tenhamos uma agenda que mobilize o interesse nacional".

Levy quer intensificar o diálogo com o Congresso, que já foi intenso no primeiro semestre. Ele e Barbosa querem fechar os principais fundamentos do Orçamento do ano que vem com antecedência, para iniciar o debate com o Congresso e sinalizar os rumos da política econômica para o ano que vem.

A agenda política foi seguida a risca pelo colega do Planejamento. Na quarta e na quinta, dias de maior presença de parlamentares em Brasília, Barbosa recebeu uma série de deputados e senadores. Ontem, encontrou-se com o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS). Na véspera, havia concedido audiências aos deputados Ricardo Barros (PP-PR), Paulo Pimenta (PT-SP) e Paulo Teixeira (PT-SP). No dia anterior estavam em sua agenda o senador Blairo Maggi (PR-MT), além da senadora Rose de Freitas (PMDB-RJ) e do deputado Ricardo Teobaldo (PTB-PE). COLABOROU LU AIKO OTTA

Tudo o que sabemos sobre:
Joaquim Levycrise políticaDilma

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.