Tupi fortalece Minas e Energia; PMDB quer ministério por CPMF

Ministério tornou-se estratégico após descoberta de megajazida e partido teme perder pasta para o PT

Christiane Samarco e João Domingos, do Estadão,

15 de novembro de 2007 | 18h35

Um novo fator de desconfiança está atravessando a negociação do Planalto com o PMDB para conseguir o maior número possível de votos a favor da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. Depois da descoberta de Tupi, a megajazida de petróleo na Bacia de Santos, o PMDB botou a garantia dos seus cargos no Ministério das Minas e Energia, inclusive o de ministro da pasta, entre as exigências fundamentais para votar a favor da CPMF.  Veja também: Especial: a maior jazida de petróleo do País Entenda como é a cobrança da CPMF  Os peemedebistas avaliam que o ministério transformou-se em um posto estratégico com a descoberta de Tupi, e que isso atiçou a cobiça política pela cadeira e fez os petistas se moverem junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para retomar um cargo que já foi deles - a atual ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi a titular das Minas e Energia no primeiro mandato de Lula (2003-2006). O clima de disputa e desconfiança entre petistas e peemedebistas é crescente no Senado, especialmente no grupo do presidente licenciado Renan Calheiros (PMDB-AL) e do senador José Sarney (PMDB-AP), que apadrinhou a indicação do ex-ministro Silas Rondeau para as Minas e Energia neste segundo mandato de Lula. Rondeau caiu no decorrer das investigações levadas a cabo pela Operação Navalha sob suspeita de ter recebido propina, o que a Polícia Federal ainda não provou.  O senador Sarney enviou no início desta semana um emissário ao presidente Lula para perguntar, de forma direta, se ele devolverá, ou não, ao PMDB o posto de ministro de Minas e Energia. A resposta foi curta: Lula mandou dizer que o cargo é do PMDB. Mas nem assim a desconfiança acabou. O que intriga o partido até agora é o porquê de o presidente Lula ter destacado a ministra Dilma Rousseff para fazer o anúncio da descoberta da megajazida de petróleo, na semana passada, na sede da Petrobras, no Rio.  O presidente Lula comprometeu-se a renomear Rondeau, assim que sua inocência for comprovada. O grupo Sarney gostou da demonstração de boa vontade, mas não quer ficar sujeito ao tempo da Justiça para retornar ao comando do ministério. Por isso, já trabalha junto ao governo para uma possível e definitiva substituição - um dos nomes cotados continua a ser o do senador Edison Lobão (PMDB-MA). Embora seja "cristão novo" no PMDB, tendo se filiado ao partido no dia 16 de outubro, vindo do Democratas (DEM), o nome de Lobão transita bem na bancada.  Tanto é assim que Lobão foi surpreendido com um cumprimento inusitado do colega Valter Pereira (PMDB-MS): "Me deixa dar um abraço no nosso ministeriável."  

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