Túmulo familiar tem zeladora fiel

Ivanise toma conta de jazido do avô de Campos

RICARDO BRANDT , ENVIADO ESPECIAL / RECIFE , O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2014 | 02h00

A pernambucana Ivanise Barros, de 52 anos, não entendeu nada quando chegou, às 8h da manhã de ontem, ao túmulo do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, como faz todos os dias, há sete anos. Dois regadores, uma vassoura, sacola com apetrechos de jardinagem e uma sombrinha nas mãos, ela observava incrédula a movimentação de pedreiros da prefeitura de Recife em torno do jazigo, onde será enterrado o corpo do candidato a presidente pelo PSB, Eduardo Campos - neto de Arraes morto, tragicamente, na quarta-feira, no litoral paulista.

"Depois a gente acostuma com o outro (túmulo). O importante é a gente fazer a manutenção com carinho, como sempre faço", conta ela. Ivanise virou a zeladora do túmulo dois anos depois da morte de Arraes, em 2005. Ela limpa, corta a grama, cuida das flores e deixa impecável o túmulo de Arraes, que é ponto de peregrinação no Cemitério Santo Amaro.

"Eu começo com ele e encerro nele", diz ela, que ganhou até uma torneira da prefeitura ao lado da sepultura para usar a mangueira que traz de casa.

A lápide modesta, onde se lê "Miguel Arraes de Alencar *15.12.1916 +13.08.2005 Um homem marcado pelas duas mãos e o sentimento do mundo"- frase do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade -, e toda grama que cobre o jazigo começaram a ser retiradas pelos pedreiros da prefeitura por volta das 10h de ontem.

Uma nova gaveta foi montada e um mausoléu de 80 centímetros de altura em mármore branco foi erguido para acomodar o corpo de Eduardo Campos. "Acredito que vai ficar simples também. Eles sabem o que fazem."

O jazigo da família Arraes tem duas gavetas, uma sobre a outra. Embaixo estão os restos mortais do patriarca. Em cima, os do filho Carlos Augusto Arraes de Alencar. Até a quinta-feira pela manhã, os planos eram de abrir a sepultura, exumar os restos do tio de Campos e colocá-los na mesma gaveta de Arraes, dentro de uma urna.

"Dona Madalena Arraes (viúva do ex-governador) pediu para não exumar o marido. Era um pedido dele que ficasse sempre aqui", contou o diretor de necrópole da prefeitura, Petrus Tejo. Na tarde de anteontem, porém, uma das filhas autorizou que fosse erguido mais uma urna.

O Cemitério Santo Amaro passou por uma faxina geral iniciada na quarta-feira. Guias foram pintadas, uma iluminação foi improvisada, o piso do caminho da sepultura foi refeito, grama cortada, árvores podadas e tudo varrido por um exército de 200 pedreiros, jardineiros, eletricistas da prefeitura.

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