Tuma vai ouvir Lyra sobre ''''laranjas''''

Corregedor quer saber se usineiro alagoano confirma sociedade secreta com presidente do Senado

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 00h00

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), disse ontem que vai chamar o usineiro João Lyra para esclarecer como foi montada sua sociedade secreta com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na compra de uma emissora de rádio e um jornal.A confirmação do negócio, feita por Lyra à revista Veja, piorou a situação de Renan, preocupou o Planalto e fez aumentar o coro dos que pregam sua renúncia. Agora, em mais uma tentativa de fechar o cerco, a oposição quer que o Conselho de Ética convoque o usineiro."Vou entrar em contato com João Lyra para ouvi-lo e investigar essa história. Os indícios são graves e é preciso saber se existiu algum contrato de gaveta", afirmou Tuma. Lyra disse à Veja que Renan comprou a JR Radiodifusão em sociedade com ele, em 1999, investindo R$ 1,3 milhão no negócio. O usineiro contou que, como o senador não podia aparecer, registrou a empresa em nome de dois "laranjas": Renan Calheiros Filho, o Renanzinho, e Tito Uchôa, seu primo. A sociedade secreta teria durado de 1999 a 2005. Hoje, o usineiro e o senador são adversários. Renan nega as acusações e diz ser vítima de "campanha eleitoral" sem provas. Para Renato Casagrande (PSB-ES), Lyra terá de ser chamado ao conselho assim que for nomeado o relator da nova representação protocolada contra o presidente do Senado. "Estamos diante de um caso que fragiliza ainda mais a situação de Renan porque envolve uma sociedade oculta e, portanto, imoral", disse o senador.Casagrande é um dos três relatores designados para investigar a primeira denúncia: a de que Renan teve as despesas pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior. "Não se pode mais dizer que é a imprensa que acusa. Há uma pessoa que, mesmo com interesses políticos locais, está mostrando a cara", disse. A opinião é compartilhada pelo líder do DEM, José Agripino (RN). "Se eu fosse relator, a primeira coisa que faria seria chamar João Lyra", insistiu.Para desespero do governo - que transformou a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) em questão de vida ou morte -, a oposição continuará sua estratégia de obstrução. "Já que Renan não se licencia do cargo, vamos licenciá-lo pela via da obstrução, porque só assim o governo deixará de emprestar apoio a essas manobras proletórias", afirmou Agripino. Nem mesmo o sinal de paz emitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse estar disposto a conversar "pessoalmente" com os líderes dos partidos para garantir o bom andamento das votações, adiantou. "Hoje nós temos mais razões ainda para obstruir as sessões", reforçou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). "Nosso problema é que temos um presidente do Senado causando constrangimento a todos." Apesar das tentativas do PT de defender Renan, o partido de Lula começa a pular fora do barco. "É necessário assegurar a plena defesa a ele, mas também precisamos saber as informações completas", argumentou Eduardo Suplicy (PT-SP).

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