Tuma quer criar grupo no Senado para investigar Renan em AL

Corregedor apresentará proposta em reunião do conselho nesta terça-feira; ele quer apurar o uso de 'laranjas'

01 de outubro de 2007 | 15h53

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou nesta segunda-feira, 1º, que irá propor a criação de uma comissão no Conselho de Ética para apurar, em Alagoas, as denúncias contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Para Tuma, segundo informações da CBN, é necessário ouvir algumas pessoas citadas nas acusações sobre irregularidades para comprar um grupo de comunicação no Estado, como o usineiro João Lyra, ex-sócio de Renan e Tito Uchôa, citado como "laranja" na negociação. Veja também:Renan diz que acusação acabou como ficção de novelaEspecial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado  Aliados de Renan querem ajuda do PT para adiar ações  A proposta do corregedor será feita na reunião do conselho marcada para esta terça-feira, às 10 horas. O órgão também decidirá se une as duas últimas representações contra o senador. O presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), afirmou que já escolheu o relator para as denúncias que restam: a de que Renan teria usado "laranjas" na compra de emissoras de rádio e a de que teria participado de um suposto esquema de propinas para desviar recursos de ministérios comandados pelo PMDB. O senador alagoano nega as acusações. O peemedebista já foi absolvido da primeira representação, acusado de ter despesas pagas por um lobista.  Caso Schincariol de fora  Segundo Quintanilha, a decisão pela unificação dos dois processos foi possível depois de uma consulta jurídica sobre o assunto. "A unificação é possível porque as duas guardam conexão entre si, ou seja, o representado é o mesmo (Renan) e também é o mesmo o objeto da denúncia", explicou o presidente do colegiado. Questionado sobre o motivo de não juntar também a essas duas representações o segundo processo, que investiga denúncias de que Renan teria intercedido politicamente a favor da cervejaria Schincariol, Quintanilha explicou que as investigações sobre esse caso, cujo relator é o senador João Pedro (PT-AM), já estão bastante adiantadas e, portanto, não seria conveniente anexá-la às outras duas, que ainda estão paradas, à espera da designação de um relator. "A representação de número 2 já tem até um relatório que será lido amanhã (terça) - ressaltou Quintanilha, ao mencionar a reunião do Conselho de Ética, que deverá analisar e votar o relatório de João Pedro. O senador petista pelo Amazonas já anunciou que, em seu relatório, vai solicitar a suspensão dos trabalhos do colegiado até que investigação semelhante, que está sendo conduzida pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por envolver o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão de Renan, aponte se há indícios de participação do presidente no esquema. Essa segunda representação foi encaminhada pelo PSOL com base em denúncia da revista Veja. Segundo a publicação, o presidente do Senado teria intercedido a favor da Schincariol para quitar dívidas da cervejaria junto ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e à Receita Federal depois de a empresa ter pagado R$ 27 milhões por uma fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros. Na matéria, a revista afirma que a fábrica estava prestes a fechar e não valia mais que R$ 10 milhões. Já o primeiro processo, que apurou se Renan teve parte de suas despesas particulares pagas por um funcionário da construtora Mendes Júnior, foi considerado procedente pelo Conselho de Ética, que enviou projeto de resolução pela perda de mandato de Renan para votação em Plenário, no último dia 12 de setembro. Os senadores, no entanto, votaram pela rejeição do projeto de resolução, o que resultou no arquivamento do processo.       

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