Tuma Júnior levou contrabandista em visita oficial ao governo chinês

O objetivo da viagem era discutir a cooperação nas áreas de combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro

Cláudia Trevisan, correspondente

13 Maio 2010 | 06h26

Foto: Departamento de Segurança do Distrito de Haidian/Pequim, China - 20/02/2009    

 

Apontado pela Polícia Federal como um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo, Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li, acompanhou o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, em viagem oficial que fez a Pequim em fevereiro de 2009, a convite do governo da China.

 

Veja também

lista Tudo que foi publicado sobre o caso Tuma Júnior

 

Fontes ouvidas pelo Estado afirmaram que apenas Tuma Júnior era convidado do Ministério da Segurança da China e disseram desconhecer em que condição Paulo Li integrava a comitiva do secretário, que não viajou acompanhado de nenhum assessor do Ministério da Justiça.

 

Outra fonte confirmou que Li participou de almoço oferecido a Tuma Júnior por autoridades do Ministério da Segurança no dia 20 de fevereiro do ano passado.

 

O objetivo da viagem era discutir a cooperação nas áreas de combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro, principalmente por meio da capacitação de pessoal. A ideia era ter um acordo que pudesse ser assinado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, em maio de 2009. Porém as discussões não avançaram e a proposta de acordo foi abandonada.

 

Li foi preso em setembro, sete meses depois da viagem à China com Tuma Júnior. Interceptações de conversas telefônicas e de e-mails realizadas pela Polícia Federal (PF) em um período de seis meses indicaram que Li contrabandeava telefones celulares da China, adulterava os aparelhos com a colocação de marcas consagradas e os vendia por cerca de R$ 200 cada um. A PF estimou na época que o esquema movimentava R$ 1,2 milhão por mês.

 

Os laços entre Li e o secretário foram revelados pelo Estado na quarta-feira da semana passada, quando o jornal publicou trechos de diálogos entre ambos. Nas gravações telefônicas, feitas pela Polícia Federal com autorização judicial, os dois discutem a emissão de vistos para chineses em situação irregular no Brasil e o secretário chega a encomendar mercadorias.

 

Afastado. Anteontem, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, decidiu afastar por 30 dias Romeu Tuma Júnior da Secretaria. Informalmente, ele disse que resolveu "tirar férias" para se defender.

 

Naturalizado brasileiro, Li tem longa ligação com a família Tuma e trabalhou em campanhas do senador Romeu Tuma (PTB-SP). Dono de academia de kung fu no bairro da Liberdade, em São Paulo, Li deu aulas de artes marciais a policiais no período em que o senador foi superintendente da PF.

 

Li foi preso com 15 pessoas na Operação Wei Jin - que, em chinês, significa trazer mercadoria proibida. No ato da prisão, ligou para Tuma Jr., na frente dos policiais. Depois, o secretário pediu para ser ouvido na investigação da PF.

 

A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça informou que "o secretário viajou a convite do governo chinês". Sobre a viagem de Paulo Li, Tuma Júnior mandou dizer, por meio da assessoria, que "o jornal deve procurar o advogado do empresário".

 

 

 

A SEMANA

 

Dia 5

‘Estado’ revela que investigação da PF liga Tuma Jr. a Paulo Li

 

Dia 6

Secretário nega envolvimento, mas não se explica

 

Dia 7

‘Estado’ publica relatório em que a PF coloca o secretário como suspeito de ter usado o prestígio do cargo para liberar mercadorias apreendidas

 

Dia 8

Novas escutas mostram Tuma Jr. tentando relaxar apreensão de US$ 160 mil em Guarulhos

 

Dia 10

Secretário diz que o caso foi encerrado no ano passado e voltou à tona por causa de seus ataques ao crimes organizado

 

Ontem

Ministro da Justiça afasta Tuma Jr. do cargo por 30 dias

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.