Tuma Júnior diz que investigação da PF é 'armação'

Em entrevista, secretário afirmou ser vítima do crime organizado, cujo objetivo seria 'desmoralizá-lo'

estadão.com.br

10 Maio 2010 | 13h40

O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, acusado de ligação com a máfia chinesa em São Paulo, disse que a investigação que apontou seu envolvimento com um suposto contrabandista tem o objetivo de desmoralizá-lo. Em entrevista publicada nesta segunda-feira, 10, ao jornal Folha de S. Paulo, Tuma Júnior disse que é vítima do crime organizado e de grande armação política.

 

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Uma reportagem publicada pelo Estado na última quarta-feira, 5, revelou que gravações telefônicas e e-mails interceptados pela Polícia Federal durante investigação sobre contrabando ligavam o secretário ao principal alvo da operação, Li Kwok Kwen, apontado como um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo.

 

Na entrevista à Folha, Tuma Júnior afirmou que não sabia da ligação de Li com a máfia e disse que não tinha suspeitas disso. "Se for verdade, para mim é uma decepção. Sou policial há mais de 30 anos e tenho obrigação de conhecer quem faz coisa errada", disse. "Nunca desconfiei, até porque ele vivia numa situação difícil. Tinha um filho que estava sem emprego e eu arrumei emprego para ele no Corinthians. Ele estava tirando outro filho da escola porque estava sem dinheiro. Esse é o grande líder do contrabando?"

 

Tuma Júnior afirmou que não teve direito de defesa e disse que a investigação da Polícia Federal "é um abuso". "Não da PF, mas de algumas pessoas da PF. Fui investigado e chegou-se à conclusão que não deveria ser denunciado. O caso foi arquivado", acrescentou.

 

O secretário disse acreditar que está sendo "vítima do crime organizado e de uma armação política muito grande".

 

"Com a política que implantamos no ministério, virei símbolo do combate à lavagem de dinheiro, da cooperação internacional. Quando fui para a Comissão de Pirataria, é evidente que isso criou um desconforto. O objetivo não é me investigar, é desmoralizar. O crime organizado age assim: mata testemunhas e desmoraliza os chefes da investigação", observou.

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