Tuma Jr. nega que mandado de prisão contra Cacciola seja falso

Alegação da defesa 'beira a irresponsabilidade', diz secretário nacional de Justiça.

Daniela Fernandes, BBC

25 Outubro 2007 | 20h10

O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, negou nesta quinta-feira que o mandado original de prisão emitido em 2000 contra o ex-banqueiro Salvatore Cacciola possa ser falso, como alega o advogado monegasco do ex-dono do banco Marka, Frank Michel. "Não há nehuma hipótese desse documento ou de qualquer outro do processo de extradição ser ilegítimo", disse Tuma Júnior à BBC Brasil. Segundo o secretário de Justiça, o documento enviado às autoridades judiciais de Mônaco é o original expedido em 2000 pela 6ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro. "A alegação dos advogados de Cacciola beira a irresponsabilidade. Eles devem estar desesperados para apresentar uma defesa baseada nisso", afirmou Tuma Júnior. O advogado de Cacciola, Frank Michel, entrou na quarta-feira com queixa na Justiça do principado alegando que a assinatura do mandado enviado a Mônaco seria diferente da do mesmo documento recebido pela Itália em 2000, quando o Brasil pediu ao país a extradição do ex-banqueiro, recusada na época. Para o advogado, se o mandado de prisão enviado a Mônaco for falso, "todo o processo de extradição é irregular". O advogado também pediu a realização de uma perícia para determinar a autenticidade do mandado expedido em 2000. "Ainda não fui comunicado oficialmente pela Justiça de Mônaco sobre essa alegação da defesa, mas asseguro que se trata do original. Assumo a responsabilidade total em relação à autenticidade do documento", disse o secretário de Justiça. "Na época, a juíza estava de férias e foi o juiz substituto que assinou o mandado de prisão. É esse documento que enviamos à Justiça de Mônaco", afirmou o secretário de Justiça. Segundo Tuma Júnior, o governo havia enviado inicialmente uma cópia autenticada do documento, mas depois, a pedido do Ministério Público de Mônaco, enviou o original. O advogado de Cacciola disse dispor da cópia do mandado enviado à Itália em 2000 e afirma estar convencido de que a assinatura, do mesmo juiz, não é a mesma do documento recebido pela Justiça de Mônaco. "É normal que a defesa procure protelar o processo para ganhar tempo. Mas fazer isso acusando o governo de falsificar documentos é crime", afirmou o secretário nacional de Justiça. "Não posso acreditar que isso aconteceu, mas se tratando do senhor Cacciola, tudo é possível", disse Tuma Júnior. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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