Tuma investigará denúncia de espionagem que envolve Renan

Presidente do Senado é acusado de organizar um esquema para espionar senadores da oposição

ANA PAULA SCINOCCA, Agencia Estado

10 de outubro de 2007 | 19h24

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), decidiu nesta quarta-feira, 10, investigar as denúncias de espionagem que envolvem o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele solicitou ao senador Demóstenes Torres (DEM-GO) uma cópia da fita da gravação exibida na última terça, em plenário,  na qual o advogado Heli Dourado dizia a um repórter do jornal Folha de S.Paulo ter conversado com o assessor de Renan, Francisco Escórcio, sobre a tentativa de espionagem dos senadores alagoanos Demóstenes Torres e Marconi Perillo (PSDB).   Veja também:  Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  'Fora, Renan! no Congresso prevê abaixo-assinado e protestos "Os fatos preparatórios para espionagem poderiam ser usados pelo senador Renan para chantagear os colegas", afirmou Tuma para justificar o início da apuração. Hoje, o corregedor passou o dia tentando localizar o empresário Pedrinho Abrão. Foi ele quem contou a Demóstenes a suposta espionagem orquestrada por Escórcio. Tuma recorreu à Polícia Federal para encontrar o empresário que já teria se colocado à disposição da Corregedoria do Senado.Segundo a assessoria de imprensa de Tuma, depois de ouvir Pedrinho Abrão o senador pretende colher depoimento do assessor de Renan. Escórcio foi afastado pelo presidente do Senado na terça, até que as investigações sejam concluídas, mas a medida foi considerada "insuficiente" pelos demais senadores tanto da oposição quanto da base.  Novo relator Nesta quarta, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) foi designado para relatar a terceira representação contra Renan  e anunciou que planeja apresentar seu parecer até o dia 2 de novembro, "mesmo que seja dia de Finados", e prometeu isenção, mesmo com sua posição favorável à saída de Renan da presidência do Senado. Neste processo, Renan é acusado de ter utilizado "laranjas" para a compra de duas emissoras de rádio e uma de TV em Alagoas.  "Vai ser um parecer técnico, embora eu já tenha pedido politicamente o afastamento do senador Renan da presidência", afirmou Peres a jornalistas. "São coisas diferentes. A minha posição como senador é uma, e como relator é outra."   O senador pedetista não descarta a possibilidade de chamar para depor o usineiro João Lira, desafeto de Renan e responsável pela denúncia que levou à representação.   Embora comprometido a ter seu parecer pronto até 2 de novembro, prazo em que a oposição promete obstruir todas as votações no Senado caso Renan não se afaste da presidência, Peres ainda conversará com o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP) para se inteirar das investigações já feitas. "Só posso começar nas oitivas quando receber todas as informações da corregedoria do Senado", disse Peres.    Outros processos A segunda representação contra Renan, no Conselho de Ética, que trata de suposto beneficiamento à cervejaria Schincariol, tem como relator o senador João Pedro (PT-AM).  A quarta representação, sobre um esquema de arrecadação de dinheiro em ministérios comandados pelo PMDB, será relatada pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE), fiel aliado de Renan.  O presidente do Congresso ainda pode responder a um quinto processo, que já está na Mesa do Senado, mas ainda não foi encaminhado para o Conselho de Ética.  Ele trata da denúncia de que Renan estaria por trás de um esquema de espionagem dos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).  Divisor de águas O entendimento do Senado é de que o governo não apoiará mais Renan, sobretudo pelo risco que ele passou a representar à aprovação da CPMF.  Segundo a senadora petista Ideli Salvatti (SC), tida como uma da últimas defensoras do senador no partido, a sessão de terça-feira deixou um recado claro, que "só não entende quem não quer".  "A sessão foi um divisor de águas, emblemática. Com pequenas diferenças de tom, todos os senadores que se manifestaram, de praticamente todos os partidos, pediram a saída do senador Renan", afirmou Ideli.  O senador Demóstenes Torres confirmou o acordo da oposição para trancar a pauta se o caso Renan não se resolver até o início de novembro.  "O senador Renan tem de sair ou a partir do dia 2 de novembro a oposição se recusa a votar o que quer que seja sob a batuta do atual presidente do Congresso". frisou Demóstenes.

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