Tuma investiga senadores acusados no caso sanguessuga

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), decidiu abrir nesta quarta-feira, 02, investigação para apurar o suposto envolvimento de três senadores - Magno Malta (PL-ES), Ney Suassuna (PMDB-PB) e Serys Slhessarenko (PT-MT) - com a máfia das ambulâncias. Os três já foram notificados pela CPI dos Sanguessugas e voltaram nesta terça-feira, 1 a garantir que são inocentes. Tuma tem o prazo de 30 dias para fazer as investigações. Se os considerar culpados, a corregedoria deverá sugerir ao Conselho de Ética do Senado a cassação de seus mandatos."Vou pedir todo o material que tem sobre os três na CPI e na Polícia Federal e analisar tudo antes de chamar os senadores", afirmou Tuma, que é um dos integrantes da CPI dos Sanguessugas. Marcelo Cardoso de Carvalho, ex-assessor de Suassuna, deverá ser um dos primeiros convocados para depor na Corregedoria do Senado. Marcelo negociaria com a Planam, principal empresa do esquema dos sanguessugas, uma propina de 10% em cima dos valores das emendas apresentadas ao Orçamento para compra superfaturada de ambulâncias. O assessor teria recebido, no total, R$ 237 mil.Na avaliação de Tuma, o caso do líder do PMDB é o mais grave. "No caso do senador Suassuna as circunstâncias são mais graves." O corregedor observou que será preciso fazer uma perícia para verificar se a assinatura de Suassuna em emendas orçamentárias é realmente falsa, conforme alega o peemedebista. Suassuna reafirmou que não conhece ninguém da família Vedoin, dona da Planam, e disse que está sendo perseguido "por pessoas do Sul-Sudeste" por ser nordestino e apoiar o governo.O senador Magno Malta teria feito um acordo com a Planam, pelo qual receberia 10% se destinasse uma emenda de R$ 1 milhão para a empresa. Como adiantamento, Magno teria ganho um Fiat Ducato. O senador não apresentou, no entanto, a emenda. Magno já admitiu que realmente usou o carro Fiat Ducato do deputado licenciado Lino Rossi (PP-MT), mas como empréstimo de um amigo e que o devolveu há um ano e um mês, em Cuiabá.Ao subir à tribuna do Senado para se defender, Magno Malta disse que o carro estava em nome de José Luís Cardoso e não em nome de qualquer empresa e que chegou a pagar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).No discurso no Senado, Malta afirmou que renunciará ao mandato, caso encontrem emenda sua destinando recursos para ambulâncias."Não renuncio para voltar depois, não. Renuncio para responder na Justiça como cidadão comum", garantiu. Romeu Tuma disse que vai ouvir o Lino Rossi. O corregedor afirmou que vai estudar se é o caso de fazer uma acareação entre Rossi e Magno Malta sobre o carro.A senadora Serys teria usado seu genro, Paulo, para negociar com a Planam. O genro teria pedido R$ 35 mil à empresa para pagar dívidas de campanha. Em troca, a senadora apresentou uma emenda de R$ 700 mil para favorecer a empresa de ambulâncias. "A senadora me entregou documentos mostrando que não tem envolvimento com o esquema. Vou estudar essa documentação, mas pretendo convocar seu genro para vir a Corregedoria", disse Romeu Tuma.Tuma observou que a abertura de investigação pela corregedoria contra os três senadores não indica, neste momento, que eles já têm comprovada a participação no esquema de fraudes. "É preciso investigar para ver se são responsáveis", disse Tuma. Para determinar a abertura da investigação, Tuma explicou que a Corregedoria baseou-se em documentação recebida da CPI dos Sanguessugas com os depoimentos que envolviam os senadores e nos inquéritos abertos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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