Tuma diz estar 'babando' de vontade de depor ao Comitê de Ética Pública

'Uma pessoa foi investigada, não foi indiciada, não foi processada, o caso foi arquivado. E um jornal faz com que recomecem as investigações. Isto não existe', criticou

Carol Pires / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

11 Maio 2010 | 21h22

O secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, anunciou nesta terça-feira, 11, em conversa informal com jornalistas, que pedirá férias de 30 dias para se dedicar a sua defesa ao Comitê de Ética Pública, que abriu procedimento preliminar de apuração contra ele.

 

Romeu Tuma Júnior havia dito, no início da conversa, que pediria 15 dias, mas que poderia reavaliar o tempo de recesso para 30 dias. Logo em seguida, perguntou a alguns repórteres se ele deveria pedir 15 ou 30 dias e aceitou a sugestão de que ficasse afastado um mês todo. “Estão está decidido: pedirei 30”.  

 

Reportagens publicadas pelo Estado mostram que gravações telefônicas e e-mails interceptados pela Polícia Federal ligam Tuma Júnior a Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li e apontado como um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo. Deflagrada em setembro de 2009, a Operação Wei Jin levou à prisão de Li e outras 13 pessoas.

 

Tuma disse que está “babando” de vontade de depor ao Comitê de Ética Pública, mas ainda não conseguiu marcar a data do seu depoimento. O secretário poderia fazer a defesa por escrito, mas adiantou que pretende conversar com o colegiado pessoalmente para, segundo ele, poder responder a todas as dúvidas que possam surgir ao longo do depoimento.

 

Romeu Tuma Júnior informou ainda que pediu ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que o ministério abra sindicância interna para apurar as denúncias que ele teria envolvimento com um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo. O pedido de sindicância responde, segundo Tuma, a um ofício encaminhado pela Controladoria-Geral da União (CGU) ao ministério da Justiça questionando quais ações já teriam sido tomadas para apurar o caso. 

 

O secretário também voltou negar que soubesse das atividades ilegais praticadas por Paulo Li. “Eu não era amigo de um bandido, eu era amigo de um cara que virou bandido”,  disse Júnior, ao contar que o conheceu há 30 anos, quando ele era professor de karatê da Polícia Federal.

 

No final da conversa, Tuma Júnior também sacou um celular dourado do bolso para mostrar qual era o tipo de aparelho telefônico que ele pediu a Paulo Li, em uma das conversas interceptadas pela Polícia Federal. O aparelho seria para um colega de Tuma que acabou, segundo o secretário, não comprando porque era da cor preta.

 

Por fim, Tuma mostrou, numa estante do gabinete, uma caixa com diversos broches simbolizando as patentes da polícia de Hon Kong. De acordo com ele, esta caixa seria a encomenda que ele faz a Paulo Li em outra conversa. “Não existe na história deste país um caso como esse. Uma pessoa foi investigada, não foi indiciada, não foi processada, o caso foi arquivado. E um jornal faz com que recomecem  as investigações. Isto não existe”, criticou.

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