Tuma chamará Lyra para esclarecer sociedade com Renan

Usineiro deu entrevista à Veja dizendo que comprou rádio para senador em nome de laranjas

Vera Rosa,

12 de agosto de 2007 | 19h37

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), disse neste domingo que vai chamar o usineiro João Lyra para esclarecer como foi montada sua sociedade secreta com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na compra de uma emissora de rádio e um jornal, em Alagoas. A confirmação do negócio, feita por Lyra em entrevista à revistaVeja, piorou a situação de Renan, preocupou o Planalto e fez aumentar o coro dos que pregam sua renúncia. Agora, em mais uma tentativa de fechar o cerco, a oposição também quer que o Conselho de Ética convoque o usineiro para depor. "Vou entrar em contato com João Lyra para ouvi-lo e investigar essa história. Os indícios são graves e é preciso saber se existiu algum contrato de gaveta", afirmou Tuma. Lyra disse à Veja que Renan comprou a JR Radiodifusão em sociedade com ele, em 1999, investindo R$ 1,3 milhão no negócio. O usineiro contou que, como o senador não podia aparecer, registrou a empresa em nome de dois "laranjas": Renan Calheiros Filho, o Renanzinho, e Tito Uchôa, seu primo. A sociedade secreta teria durado de 1999 a 2005. Hoje, o usineiro e o senador são adversários políticos. Renan nega as acusações e diz estar sendo vítima de uma "campanha eleitoral" sem provas.Para Renato Casagrande (PSB-ES), Lyra terá de ser chamado ao Conselho de Ética assim que for nomeado o relator da nova representação protocolada contra o presidente do Senado. "Estamos diante de um caso que fragiliza ainda mais a situação de Renan porque envolve uma sociedade oculta e, portanto, imoral", disse o senador. Casagrande é um dos três relatores designados para investigar a primeira denúncia : a de que Renan teve as despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior. "Não se pode mais dizer que é a imprensa que acusa. Há uma pessoa que, mesmo com interesses políticos locais, está mostrando a cara", disse.A opinião é compartilhada pelo líder do DEM, José Agripino (RN). "Se eu fosse relator, a primeira coisa que faria seria chamar João Lyra para depor e exibir as provas", insistiu. "Até agora é a palavra de um contra a palavra do outro." Para desespero do governo - que transformou a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) em questão de vida ou morte -, a oposição continuará em sua estratégia de obstruir as votações de interesse do Planalto. "Já que Renan não se licencia do cargo, vamos licenciá-lo pela via da obstrução, porque só assim o governo deixará de emprestar apoio a essas manobras proletórias", afirmou Agripino. Nem mesmo o sinal de paz emitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse estar disposto a conversar "pessoalmente" com os líderes dos partidos para garantir o bom andamento das votações no Congresso, adiantou para apaziguar o turbulento cenário político. "Hoje nós temos mais razões ainda para obstruir as sessões", reforçou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO)."Nosso problema é que temos um presidente do Senado causando constrangimento a todos, envolvido numa situação que só piora a cada dia, sem nem mesmo se importar com a instituição." Apesar das tentativas do PT de defender o aliado Renan, o partido de Lula já começa a pular fora do barco. No diagnóstico do senador Eduardo Suplicy (SP), também integrante do Conselho de Ética, Renan "ainda não esclareceu inteiramente" a denúncia sobre a sociedade secreta com João Lyra. "É necessário assegurar a plena defesa a ele, mas também precisamos saber as informações completas", argumentou Suplicy.

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