Tuma anexa novas denúncias ao caso Argello

Corregedor deu início ontem aos procedimentos para abertura em agosto de processo por quebra de decoro contra o recém-empossado senador

Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2007 | 05h37

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), iniciou ontem os procedimentos para instaurar, em agosto, o processo contra o senador Gim Argello (PTB-DF) por suposta quebra de decoro parlamentar. Tuma obteve a garantia do juiz da 1ª Vara Criminal de Brasília, Roberval Belinati, de que receberá a documentação apreendida na Operação Aquarela, feita pela Polícia Civil do Distrito Federal. Argello tomou posse na vaga deixada por Joaquim Roriz (PMDB-DF), que renunciou temendo perder os direitos políticos em eventual cassação por conta dos desdobramentos dessa operação.Realizada nos últimos meses, a ação dos policiais do Distrito Federal desbaratou a quadrilha que desviava recursos do Banco Regional de Brasília (BRB). O nome de Argello, segundo informações que chegaram ao corregedor, apareceria nas 62.085 ligações telefônicas interceptadas mediante autorização judicial. De acordo com o juiz, por enquanto foi identificado apenas 5% do material apreendido, entre os quais estão 390 caixas contendo livros contábeis, balancetes de empresas e outros dados das 20 pessoas e 20 empresas envolvidas no escândalo. Tuma vai anexar à representação que o PSOL fez contra Argello, anteontem, minutos depois de ele tomar posse, a que recebeu ontem de cinco partidos: PT, PC do B, PPS, PDT e PSB e da Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF) e da União Nacional dos Estudantes (UNE). Os representantes dos diretórios locais dos partidos também entregaram ao senador um dossiê que conteria subsídios para apurar quebra de decoro atribuída a Argello associada ainda a crimes de sonegação fiscal, enriquecimento ilícito, desvios de dinheiro público e corrupção. De acordo com o presidente do PT do Distrito Federal, o ex-deputado Chico Vigilante, os fatos que geraram as denúncias contra o recém-empossado senador ocorreram entre 1999 e 2007. Argello é acusado, entre outras coisas, de ter lesado o patrimônio público em mais de R$ 19 milhões, segundo auditoria do Tribunal de Contas do DF. A assessoria do senador e Gim Argello atribui as denúncias a interesses políticos de adversários. Seu assessor de imprensa, Maurício Júnior, informou que hoje o senador deverá indicar os nomes de seus assessores. Seu gabinete está em fase de montagem. Fica em frente à liderança do DEM e no caminho que leva ao gabinete de Romeu Tuma. A placa com seu nome já foi afixada na porta. Ao contrário do que ocorria com Roriz, que tinha amigos como o senador José Sarney (PMDB-AP), Argello não conta com apoios ostensivos entre os colegas do Senado. Os senadores do PTB deixam claro que preferiam que ele não tivesse assumido a cadeira. Os dois outros representantes de Brasília, Cristovam Buarque (PDT) e Adelmir Santana (DEM), também preferem manter distância do novo colega.

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