Tucanos veem ITV como máquina para 'campanha' de Serra

Grupo do PSDB avalia que ex-governador vai utilizar instituto para fomentar uma nova candidatura ao Planalto

Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo

24 de maio de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - A briga de poder em torno do espaço do ex-governador tucano José Serra na nova direção nacional do PSDB, a ser eleita dia 28, vai muito além da secretaria-geral do partido e da presidência do Instituto Teotônio Vilela, (ITV) de estudos e pesquisas.

 

Aliados do senador Aécio Neves (MG), com o apoio de tucanos de todas as regiões, entendem que o que está em jogo é se haverá ou não duplo comando no PSDB. Precisamente por isso, será difícil Serra assumir o ITV.

 

Foi o que decidiu a cúpula nacional do partido, incluindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A avaliação geral é de que no ITV, com um orçamento de R$ 10 milhões anuais para contratar uma assessoria e rodar o País "em campanha", Serra criaria um poder paralelo. Por isso, parte do tucanato mantém-se firme na disposição de dar o comando do ITV ao ex-senador Tasso Jereissati. FHC, Aécio e o presidente nacional do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), candidato único à própria reeleição, ainda estão negociando uma fórmula para contemplar Serra. Além da secretaria-geral, hoje ocupada por Rodrigo de Castro (MG), também está sendo estudada a alternativa de dar importância e poder efetivo ao Conselho Político para acolher Serra.

 

Os oito governadores tucanos estão dispostos a abrir mão de integrar o Conselho que ficaria mais enxuto, com no máximo cinco integrantes, e teria a missão de definir os projetos nacionais do PSDB. A presidência do colegiado ficaria com FHC, mas Serra assumiria uma espécie de secretaria executiva para tocar o órgão de aconselhamento e assessoria do partido, do qual também participariam Tasso e Aécio. Tucanos de Norte a Sul preocupam-se em não passar à opinião pública a ideia de que Serra foi escanteado, mas não querem nem ouvir falar em gabinete sombra e se recusam a ficar reféns da disputa partidária entre Minas e São Paulo. Lembram a crise do DEM para destacar que o duplo comando leva à guerra na cúpula e ao risco de implosão.

 

Todos declaram ter o maior apreço e respeito pela história e peso político de Serra. Afirmam que ele teria o cargo que quisesse na direção partidária, mas isso, desde que não tivesse se colocado à mesa sua candidatura presidencial em 2014. Foi esse o tom do jantar de cerca de 30 deputados fora do eixo Minas-São Paulo na quarta-feira passada em Brasília. Para que o encontro não soasse como uma conspiração contra mineiros e paulistas, o anfitrião Reinaldo Azambuja (MS) convidou apenas um representante de Minas e um só paulista.

 

Acordo. Apesar da intenção da cúpula não negociar o ITV, aliados de Serra já comentam que o grupo aceitaria como solução para o acordo, além do instituto, a primeira-vice-presidência. Por esse entendimento, os tucanos próximos ao ex-governador abririam mão da secretaria-geral. / COLABOROU JULIA DUAILIBI

 

 

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