Tucanos tentam montar palanque sem Roriz no DF

PSDB trabalha com duas alternativas: lançar a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia montar um palanque 'neutro'

Christiane Samarco e Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2010 | 19h33

BRASÍLIA - Ao mesmo tempo em que costura uma aliança nacional com o PSC para aumentar o tempo de propaganda eleitoral do candidato José Serra no rádio e na televisão, setores do PSDB trabalham para construir um palanque no Distrito que não abrigue o ex-governador Joaquim Roriz (PSC). Envolvido em denúncias de corrupção, Roriz terá dificuldades de voltar ao governo local pela quinta vez.

 

Os tucanos trabalham com duas alternativas: lançar a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia na disputa ou ajudar a montar um palanque "neutro", que encampe o discurso suprapartidário de resolver a crise política instalada na capital desde final de novembro. Roriz chegou a ser recebido pelo ex-presidente Fernando Henrique em seu apartamento, em São Paulo. Mas como ele descumpriu o acordo de manter o encontro sob sigilo, os tucanos se alarmaram com a repercussão negativa e interromperam a conversa com Roriz para evitar mais desgaste.

 

O PSDB do DF passa por uma crise de comando, desde dezembro, quando o nome do presidente local do partido, Márcio Machado, apareceu na lista de envolvidos na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que investiga a distribuição de propina para aliados do então governador José Roberto Arruda, na ocasião filiado ao DEM. Por ordem da Executiva Nacional tucana, Machado foi obrigado a deixar o posto de secretários de Obras e a se licenciar do cargo de presidente. Foi ele o autor do documento que relacionava o nome das empresas "abordadas" para ajudar, de maneira ilícita, a campanha de Arruda em 2006, como noticiou o Estado.

 

Na última quinta-feira, a crise ganhou mais um capítulo com a renúncia do vice de Machado, Gustavo Ribeiro, que estava no exercício da presidência. Com o partido acéfalo, a montagem do palanque de Serra com um candidato próprio terá de esperar. Antes de resolver a crise nacional, os tucanos do DF têm de encontrar uma solução para a crise local.

 

Embora tenha sido vice-governadora de Roriz, Maria Abadia não virou alvo das denúncias que envolveram o ex-governador. "Meu compromisso é com o Serra, de ir para as ruas com ele, pedir voto", afirma a tucana que está afastada da política desde a última eleição, quando foi derrotada por Arruda.

 

A favor de Abadia pesa também o fato de ela ter administrado a Ceilândia, uma das maiores cidades do entorno. Como ela mantém ali seu reduto eleitoral mais confiável, Serra terá mais facilidade para obter votos em uma das localidades onde seu nome tem pouca popularidade.

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