Tucanos rejeitam aliança proporcional com PSD

Vereadores temem que sigla de Kassab ‘pegue carona’ na popularidade do PSDB na capital, o que poderia reduzir número de cadeiras na Câmara

Bruno Boghossian, estadão.com.br

29 de março de 2012 | 00h10

SÃO PAULO - Os vereadores do PSDB de São Paulo vão tentar impedir que o partido feche uma coligação com o PSD na eleição para a Câmara Municipal. Eles temem que a sigla do prefeito Gilberto Kassab "pegue carona" na popularidade do PSDB na capital paulista e impeça a reeleição dos tucanos.

"A bancada já se posicionou contra uma aliança proporcional", afirmou o vereador Floriano Pesaro, líder do PSDB na Câmara. "Cada partido deve disputar sua própria base, e não pegar carona na legenda dos outros."

Kassab sempre declarou que seu apoio à candidatura de José Serra (PSDB) à Prefeitura é "incondicional", mas tenta negociar a formação de uma aliança na eleição para vereador - a chamada chapa proporcional.

O PSD precisa se unir aos tucanos para tentar manter sua bancada de dez vereadores na capital. Seria a melhor maneira de conseguir exposição para seus candidatos, já que o partido não tem uma fatia significativa de tempo na propaganda de TV e rádio, e ainda não tem uma legenda forte, pois disputa pela primeira vez uma eleição.

Kassab já disse a Serra que espera fechar o acordo, mesmo que o PSD tenha que abrir mão da vaga de vice na chapa.

Os vereadores e pré-candidatos tucanos à Câmara acreditam que seriam prejudicados com a formação de uma chapa única com o partido de Kassab. Eles dizem que o PSD se beneficiaria dos votos dados à legenda do PSDB - passando a disputar espaço entre si para conquistar uma vaga à Câmara.

"Todo mundo sabe qual é o número do PSDB, ainda mais com uma figura como o Serra na disputa para prefeito. Mas quem sabe qual é o número do PSD?", protesta um pré-candidato a vereador tucano.

O PSDB tem tradicionalmente uma grande quantidade de votos em sua legenda - quando o eleitor escolhe o partido e não um nome específico para o legislativo. Os tucanos acreditam que os candidatos do PSD agregariam poucos votos à chapa e se beneficiariam dos votos na legenda do PSDB.

"O número 45 consolida a posição do PSDB como um partido responsável e reconhecido. Não queremos incluir candidatos de outros partidos", afirma Pesaro.

Resistência. O PSD deve enfrentar a resistência de outros partidos grandes e médios na composição de uma coligação na eleição para vereador. O PV, por exemplo, já avisou a Serra que não entraria em uma chapa proporcional com a sigla de Kassab.

Apesar do protesto dos tucanos, o grupo próximo a Serra acredita que terá dificuldades para negar a Kassab a formação de uma chapa com o PSD. "É difícil rejeitar a formação de uma chapa para vereador quando um outro partido dá apoio na eleição para prefeito", afirma o ex-governador Alberto Goldman. "Seria melhor poder tomar essa decisão de acordo com os nossos objetivos, mas nem sempre a gente tem essa liberdade", completa.

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