Tucanos reagem à entrevista de Márcio França

Para dirigentes do PSDB paulista, vice-governador exagerou ao afirmar que o partido não dá a Geraldo Alckmin a devida importância

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2015 | 07h41

Dirigentes do PSDB reagiram à entrevista do vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), publicada domingo no Estado, na qual ele afirmou que parte dos tucanos “não valorizam” o tamanho e a importância de Geraldo Alckmin e que o governador seria hoje o único da legenda com força política para alavancar uma candidatura à Prefeitura de São Paulo no ano que vem.

“Não cabe ao presidente de outro partido fazer qualquer crítica às opiniões que nós temos. Ele não tem o direito de entrar na vida de um partido ao qual não pertence. Márcio França extrapolou. Eu não dou opinião sobre o que acontece no PSB”, disse o ex-governador Alberto Goldman, vice presidente nacional do PSDB.

Presidente do PSB paulista e aliado histórico de Alckmin, França verbalizou uma reclamação recorrente nos bastidores entre aliados mais próximos do governador: a de que o grupo de tucanos “históricos” de São Paulo – integrado, entre outros, por Goldman, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os senadores Aloysio Nunes Ferreira e José Serra – decidiu apoiar a pré-candidatura do vereador Andrea Matarazzo à Prefeitura de São Paulo sem antes consultar o Palácio dos Bandeirantes.

“As pessoas do partido têm o direito de dar sua opinião e ter sua opção de candidatura. Ele (França) não tem autoridade moral para dizer o que disse. Se ele pretendeu prestar um serviço ao governador, prestou um desserviço. A entrevista foi um desastre”, diz Goldman.

Amigo. Presidente do PSDB paulista, o deputado estadual Pedro Tobias também reagiu de forma contundente. “O Márcio França exagerou. Ele quer se qualificar como o único que gosta do Geraldo Alckmin. É como se ele fosse o único amigo do governador, o que não é verdade”, disse o dirigente. “Sempre fomos leais ao Geraldo. Quando a cúpula do partido apoiou (o então prefeito e ex-vice de Serra Gilberto) Kassab (na eleição municipal de 2008), nós ficamos ao lado dele (Alckmin)”, finalizou o tucano.

Tobias e outros tucanos participaram na noite de segunda-feira da festa de aniversário de Matarazzo, no centro da capital paulista. O evento, que aconteceu em clima de ato político, não contou com a presença do governador. Participaram da festa, além de Aloysio, Serra e Goldman, o ex-ministro da Justiça José Gregori e o presidente da Câmara Municipal, o petista Antonio Donato.

Matarazzo adotou um tom diferente dos seus correligionários e procurou minimizar qualquer tipo de desconforto em relação a Alckmin. “O PSDB inteiro reconhece o valor do governador. Eu conversei diversas vezes com ele e fui estimulado a ir em frente”.

Postulante à vaga de candidato ao Palácio do Planalto em 2018, o governador gostaria que o candidato da capital fosse alguém mais afinado com seu projeto nacional do que Matarazzo, que é visto como aliado do senador José Serra.

Prazos. A data da realização das prévias que definirão o nome tucano que estará na urna eletrônica em 2016 também divide os tucanos. A executiva do diretório paulistano do PSDB queria escolher o candidato ainda em 2015 e chegou a dar como encerrado o prazo de inscrições. Até o momento, só dois nomes se apresentaram: Matarazzo e o empresário João Doria Jr., presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide).

Depois de uma intervenção do diretório estadual que contou com o apoio do nacional, o presidente do PSDB paulistano, vereador Mário Covas Neto, acabou recuando e postergou o embate para o ano que vem.

Agora há divergências em relação ao mês ideal para as prévias. “Sou a favor de fazer em janeiro, no máximo nos primeiros dias de fevereiro. Mas hoje fiquei sabendo pelo João Doria Jr. que estão falando em fazer no dia 25 de março. Se esperarmos até lá, não chegaremos ao segundo turno”, ponderou Tobias.

“Não tomarei a decisão de estabelecer regras sem saber se elas serão aprovadas”, responde Covas Neto. Para tucanos próximos a Alckmin, o ideal é que a disputa interna ocorra logo depois do carnaval. Uma ala dos tucanos, porém, gostaria que de antecipar a escolha para facilitar as articulações com os outros partidos.

A expectativa no PSDB é que a legenda conte, no mínimo, com PSB, DEM, PV e PPS em seu palanque. Essas siglas estão presentes no secretariado de Alckmin e fazem parte de sua base de apoio na Assembleia Legislativa

Segundo França, esses partidos só apoiarão um candidato do PSDB se ele for o escolhido por Alckmin.

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