Tucanos pró-Kassab racham partido em chapa contra Alckmin

Grupo do PSDB que apóia prefeito de SP registrou chapa nesta terça-feira no diretório municipal

Carmen Munari, da Reuters

17 de junho de 2008 | 18h26

Está formalizado o racha no PSDB de São Paulo. O grupo do partido que apóia a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) à reeleição registrou chapa no diretório municipal nesta terça-feira, que vai disputar a indicação com o ex-governador Geraldo Alckmin. A proposta, assinada por 424 delegados do total de 1.344, é encabeçada pelo secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, e pelo líder da bancada tucana na Câmara Municipal, Gilberto Natalini. Dos 12 vereadores do partido, apenas um apóia Alckmin.  Veja Também: Calendário eleitoral das eleições deste ano    O diretório municipal tem até 48 horas para enviar o registro da chapa à direção nacional do partido, em Brasília, que tem direito à última palavra.  "A prefeitura de São Paulo é um governo nosso, em aliança com o DEM. A bancada do PSDB é a favor da gestão Kassab", disse Natalini, ao registrar a chapa, acompanhado de 10 vereadores. O prazo para o registro terminava nesta terça-feira, cinco dias antes da convenção marcada para domingo, 22. A disputa entre as duas correntes se estende há meses. Em maio, no entanto, Geraldo Alckmin conseguiu a indicação do partido em reunião marcada por fortes protestos dos kassabistas.  No sábado passado, a candidatura de Kassab foi formalizada em convenção do DEM, que contou com a presença dos políticos tucanos que o apóiam. O governador em exercício Alberto Goldman compareceu representando José Serra. Em viagem ao exterior desde o dia 11 de junho, Serra vem trabalhando nos bastidores pela candidatura Kassab.  PSDB e DEM elegeram Serra prefeito e Kassab como seu vice em 2004. Em 2006, Kassab assumiu a prefeitura quando Serra disputou e venceu a disputa pelo governo do Estado. Os tucanos mantiveram forte presença na máquina da prefeitura, em secretarias e demais órgãos.  Além do DEM, Kassab tem o apoio do PMDB, PR e PV. Enquanto a candidatura Alckmin fechou com o PTB, que ocupará a vice.  Na esperança de obter o apoio do PSDB, o vice na chapa de Kassab ficou em aberto até a convenção tucana. Se esta hipótese não se concretizar, o PMDB ocupará a vice.  O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, interferiu na disputa paulistana e chamou os dissidentes a Brasília na semana passada, sem sucesso.  O que está em jogo nesta disputa é o apoio do DEM à possível candidatura de Serra à Presidência da República em 2010. O tucano quer garantir a adesão do parceiro político e preferiria ver Alckmin como candidato ao governo do Estado. Para o DEM, a conquista da capital paulista daria um forte impulso ao partido, que tem apenas um governador (Distrito Federal) e perdeu participação parlamentar nas últimas eleições.  Pesquisas de intenção de voto para a prefeitura de São Paulo mostram Kassab em terceiro lugar na disputa. Marta Suplicy (PT) e Alckmin lideram em empate técnico.

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