Tucanos pedirão a Lula reforma tributária ampla

Os governadores do PSDB decidiram hoje cobrar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma reforma tributária mais ampla e profunda, além da participação dos Estados na distribuição dos recursos arrecadados pela União com a cobrança de contribuições, como a CPMF. Já na reunião de desta quarta-feira de todos os governadores com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Granja do Torto, os tucanos vão pedir a edição imediata de uma medida provisória para regulamentar a distribuição dos recursos da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide). Em reunião que durou mais de três horas Rio Quente - em um resort no interior de Goiás - os tucanos endureceram o tom com o governo, mas reafirmaram que continuarão trabalhando em conjunto para a aprovação das reformas e "colaborar com o Congresso Nacional" em busca do fortalecimento dos Estados e Municípios. É com o discurso político voltado para a eqüidade na distribuição dos recursos dos impostos federais, hoje concentrados na União por força das chamadas contribuições, que os governadores tucanos pretendem influir no Congresso na votação das reformas. "O jogo só vai começar no Congresso", anunciou o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima. "Se o governo continuar pisando em ovos, vamos ter enorme dificuldade para fazer a reforma que o País precisa", completou o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Juntos, os oito governadores tucanos somam mais de 200 deputados aliados na Câmara e pretendem valorizar os votos de suas bancadas. "A partir de agora o governo tem que construir uma maioria em torno de sua proposta e assumir os desgastes que são naturais para uma reforma dessa complexidade", enfatizou Aécio Neves. O tom contundente da "Carta do Rio Quente" foi justamente obra de Aécio Neves, que chegou ao encontro pedindo mais ousadia ao governo e reagindo à eventual restrição da reforma tributária à unificação da legislação sobre o ICMS. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, teve de intervir para impedir que o documento final ficasse muito agressivo. Mesmo assim, o texto manteve pressões e cobranças ao governo do PT.

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