Tucanos pedem apoio para enfrentar governo brasileiro

O grupo indígena Tucano, do norte do Brasil, está mobilizando organizações não-governamentais (Ongs) da Europa e a Comissão de Direitos Humanos da ONU para pressionar o governo brasileiro a pagar uma indenização milionária pela destruição de sua aldeia em maio de 1990. Segundo os advogados dos indígenas, o Exército destruiu a aldeia para impedir que o grupo continuasse a garimpar ouro na região do Alto Rio Negro. O Tribunal Federal em Manaus, dois anos depois da expulsão dos indígenas de suas terras, decretou os tucanos anos teriam o direito de voltar a ocupar a região perto da fronteira com a Colômbia. Até hoje, porém, a liminar sobre as compensações pela destruição continua parada.Alguns anos após o ataque militar, o coronel Álvaro Maia chegou a confessar que o Exército havia destruido a aldeia e que ele mesmo havia ganhado uma promoção pelo ato. Mas segundo o advogado do grupo indígena, Miguel Barrella Filho, o Tribunal Federal em Manaus foi pressionado pelo governo federal a esquecer do caso que agora será retomado pela comunidade internacional. Segundo o Estatuto Indígena, os Tucanos têm o direito de garimpar, faziam manualmente e sem a utilização do mercúrio. O ouro, de acordo com Barrella, era trocado nas cidades da região por alimentos. O Exército, porém, tinha outra explicação. As Forças Armadas alegaram que se tratava de um tráfico de ouro e que até mesmo guerrilheiros colombianos estariam envolvidos. Barrella acusa a empresa de mineração Paranapanema de estar por trás da ação do exército. "Muitos gerentes da empresa eram militares", revela o advogado, que na época foi obrigado a se refugiar em Genebra depois de sofrer ameaças de morte em Manaus. Na ONU os tucanos prometem levar o caso ao Alto Comissariado de Direitos Humanos. Mas a falta de ação do governo começa a irritar o grupo indígena. Em agosto do ano passado, uma assembléia reuniu os Tucanos e o líder do grupo, Benedito Machado, alertou que se a Justiça não tomasse providências sobre as compensações, os indígenas "mostrariam ao exército o que é ser terrorista em sua própria terra". Os 15 mil tucanos vivem em uma região três vezes o tamanho da Suíça e produtores de cinema da Dinamarca chegaram a realizar um documentário sobre a história da destruição da aldeia, em 1990.

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