Tucanos mineiros fazem recepção discreta para Serra

O ministro da Saúde e pré-candidato do PSDB à presidência, José Serra, voltou a ter uma recepção fria dos tucanos mineiros nesta tarde, quando inaugurou o primeiro Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) do País, em Divinópolis, no centro-oeste do Estado. Serra veio a Minas pela terceira vez em pouco mais de um mês. Nas duas últimas, foi recepcionado por pequenos grupos de deputados federais e estaduais da legenda, de forma bem menos efusiva que seu oponente na disputa interna do PSDB, o governador cearense Tasso Jereissati.Em novembro, Tasso foi praticamente aclamado em um encontro do PSDB estadual como preferido dos mineiros para a corrida presidencial, antes de fazer palestra a empresários na Federação das Indústrias do Estado (Fiemg). O encontrou reuniu nove dos 12 deputados federais da legenda no Estado e toda a bancada estadual, com oito parlamentares.Serra fez palestra uma semana depois, mas contou com quórum muito inferior de tucanos. Desta vez, dos caciques do partido em Minas, o ministro foi recebido, em Divinópolis, apenas pelo ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB), que, embora tenha negado já ter escolhido seu preferido disputa interna do partido para concorrer ao Palácio do Planalto, tem dado visíveis sinais de que apóia a candidatura de Tasso. "José Serra é meu amigo pessoal há muito tempo", disse Azeredo, que na semana passada também esteve ao lado do ministro, em Belo Horizonte. "Ainda não me decidi em relação a ele ou a Tasso", acrescentou, esquivando-se. Além de não contar com representantes das bancadas federal e estadual tucanas, Serra - que, como de hábito em solenidades do Ministério, recusou-se a falar de política - não contou sequer com o prestígio do prefeito de Divinópolis, Galileu Machado, do PMDB. Machado enviou à solenidade a vice, Maria Martins, do PFL.Serra foi questionado sobre a frieza da recepção. Preferiu, no entanto, dizer que não cumpre agendas do Ministério com o intuito de receber agradecimentos ou elogios, "mas sim de agradecer às comunidades" pelas ações que elas promovem, na área da saúde. No caso do Cacon, que funciona no hospital filantrópico João de Deus, no centro de Divinópolis, a obra custou R$ 5,9 milhões, sendo que menos da metade (R$ 2,2 milhões) foi custeado por recursos do Ministério da Saúde. O Cacon é fruto do Projeto de Expansão da Assistência Oncológica no Brasil (Expande), que prevê investimentos de R$ 44 milhões pelo Ministério da Saúde, até 2004, com a criação de 20 unidades semelhantes no País. Cerca de 14 milhões de brasileiros serão beneficiados com a ampliação da assistência oncológica, de acordo com o Ministério, que já repassou, da verba total para o Expande, R$ 13,7 milhões ao Instituto Nacional do Câncer, responsável pela execução do projeto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.