Tucanos ligados a Alckmin defendem afastamento de Aécio do comando do PSDB

Avaliação é de que denúncia afeta ainda mais imagem do partido

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2017 | 23h35

BRASÍLIA - Integrantes do PSDB ligados ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendem nos bastidores o afastamento do senador Aécio Neves (MG) da presidência nacional do partido. A avaliação é de que a imagem da legenda será ainda mais atingida se o parlamentar mineiro continuar na direção da sigla, o que obrigará os tucanos a se desgastarem publicamente para defender Aécio.

A situação do senador se complicou nesta quarta-feira, 17, após o empresário Joesly Batista, dono da JBS, entregar à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma gravação na qual Aécio pede R$ 2 milhões ao empresário, sob a justificativa de que precisava da quantia para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato. A Polícia Federal teria filmado um primo de Aécio pegando esse dinheiro. A defesa do tucano disse que ele não recebeu "dinheiro nenhum".

Deputados ligados a Aécio, por sua vez, saíram em defesa do tucano. "A primeira coisa que ele terá de fazer é apresentar sua defesa para a população e para o partido. É o dever disso. Após isso, é que vamos fazer a discussão. Mas ele não tem que se afastar ou deixar a presidência do partido. Nós defendemos direito de defesa até para a nossos opositores", afirmou o deputado federal Domingos Sávio, presidente estadual do PSDB de Minas.

Logo após a divulgação da denúncia pelo jornal O Globo, deputados e senadores do PSDB se reuniram na noite desta quarta-feira na Câmara. Na reunião, também discutiram preliminarmente a denúncia de que Joesly Batista gravou o presidente Michel Temer dando aval para que o empresário comprasse o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O encontro desta quarta dos tucanos, porém, não foi conclusivo. 

Deputados do PSDB ficaram de consultar governadores e outras lideranças do partido durante esta noite de quarta para saber o que estão pensando sobre a situação de Aécio como também do governo Michel Temer. A ideia é que debatam um posicionamento conjunto oficial durante nova reunião entre parlamentares tucanos marcada para 10 horas desta quinta-feira, 18, na Câmara.

Ligado a Alckmin, o líder do PSDB na Casa, deputado Ricardo Tripoli (SP), afirmou a jornalistas que os tucanos primeiro vão pedir explicações a Aécio, antes de defender publicamente o afastamento dele da presidência do partido. Ele avaliou que denúncias contra o senador mineiro e contra Temer são "graves", mas disse que o partido mantém, por enquanto, o apoio às reformas da Previdência e trabalhista.

Em reservado, outros deputados tucanos avaliam que a situação do governo Temer está insustentável. Eles acreditam que a denúncia contra o presidente deve levar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassar Temer, na ação protocolada pelo PSDB que pede a cassação da chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico nas eleições de 2014. / COLABOROU JULIA LINDNER

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