JAÉLCIO SANTANA/Divulgação
JAÉLCIO SANTANA/Divulgação

Tucanos já admitem abandonar Delgado para derrotar PT na Câmara

A avaliação de integrantes da sigla é de que o peemedebista representa hoje um nome alinhado à oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT)

Pedro Venceslau, Ricardo Della Coletta e Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

26 de janeiro de 2015 | 18h44

Atualizado às 22h27

São Paulo - Depois de anunciar em dezembro apoio formal à candidatura de Júlio Delgado (PSB) à presidência da Câmara, o PSDB já admite que a sigla pode desistir do projeto da “terceira via” para apoiar o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ ), desde o início da eleição, no domingo. A avaliação é que o voto útil no peemedebista evitaria um 2.º turno contra Arlindo Chinaglia (PT-SP), apoiado pelo governo. 

Para o PSDB, Cunha hoje representa uma plataforma de oposição ao Palácio do Planalto, embora seja correligionário do vice-presidente Michel Temer. Os tucanos temem que, numa segunda rodada da disputa apenas entre o peemedebista e Chinaglia, o governo consiga atrair apoio com promessas de cargos e liberação de verbas.

Fora isso, o PSDB terá 54 deputados na legislatura que começa neste domingo – será a terceira maior bancada, atrás de PT e PMDB – e quer manter ou ampliar seu espaço na Mesa Diretora e nas comissões da Casa. O principal pleito é manter a Primeira Secretaria, que está na cota do PSDB desde 2009. 

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“Meu sentimento é de que um terço da bancada vai caminhar com Cunha. É preciso ver qual será a posição na Mesa do partido. Como fazer uma oposição fragilizada?”, questionou o deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR), que manifestou em público o apoio à candidatura de Cunha. Embora oficialmente ainda estejam fechados com Delgado, dirigentes tucanos já admitem abertamente que será difícil garantir a unidade da bancada. 

Previsão. “Há uma orientação nesse sentido (de apoiar Delgado), mas o voto é secreto. Não há como garantir (o apoio de toda a bancada)”, disse o deputado Duarte Nogueira, presidente do PSDB paulista. Ele comandou ontem um almoço dos deputados tucanos paulistas com Cunha em um restaurante de São Paulo. Na saída do encontro, o peemedebista disse ter segurança de que “a eleição será resolvida no 1.º turno”.

O candidato do PMDB chegou acompanhado do deputado Paulinho da Força (SP), presidente do Solidariedade, que o acompanhou em compromissos na capital paulista. Depois, Cunha foi a Curitiba encontrar o governador Beto Richa (PSDB).

A possível debandada do PSDB da candidatura de Delgado, movimento liderado por parlamentares de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, já causa divergência na bancada. “Não podemos abandonar companheiros. Hoje a candidatura que não está vinculada à base é a do Júlio Delgado. Apoiá-lo é importante para o PSDB”, disse o deputado Domingos Sávio (MG).

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