Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Tucanos ensaiam discurso para rebater citação a Anastasia na Lava Jato

PSDB teme uso político do depoimento pelo PT e age para blindar principal aliado de Aécio

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2015 | 19h59

SÃO PAULO - Ao tomar conhecimento que o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho acrescentaria o nome do senador tucano Antonio Anastasia na lista de citados da Operação Lava Jato, o PSDB adotou uma estratégia de defesa baseada em duas frentes: desqualificar a fonte, um "meliante de quinta categoria", segundo o deputado federal Marcus Pestana, presidente da sigla em Minas Gerais, e apontar uma armação para prejudicar a legenda. Em nota divulgada no Facebook, o senador Aécio Neves afirmou que o autor do depoimento - um ex - operador do doleiro Alberto Youssef, pivô do esquema de lavagem de dinheiro - faz parte de uma "farsa" para "intimidar e constranger a oposição". Já Pestana fez um questionamento: "Palavra de bandido virou critério de verdade?"

 

A reação foi rápida e contundente, mas os tucanos temem os efeitos colaterais do episódio. A expectativa é que o PT passe a usar o depoimento para, nas palavras de um dirigente do PSDB nacional, "nivelar por baixo". Os petistas, que ontem evitaram se manifestar publicamente, lembram que Youssef foi tratado pelos tucanos como fonte fidedigna quando acusou, em depoimento da PF, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff de saberem de tudo sobre o esquema. 

 

"O PT, que está liquidado moralmente, vai tentar se apegar a isso. Mas não há elemento de comparação. Youssef fez uma delação premiada. Isso tem uma força imensa", diz o ex-governador  Alberto Goldman, vice presidente nacional do PSDB. Depois da divulgação do depoimento de ontem, interlocutores de Aécio telefonaram para todos os governadores tucanos com o objetivo de unificar o discurso e reforçar a defesa de Anastasia. Os partidos aliados do PSDB no  Congresso também evitaram fazer desagravos. "Anastasia tem uma reputação ilibada, mas qualquer acusação tem que ser apurada", disse Carlos Siqueira, presidente do PSB. Questionado sobre um possível desagravo, ele afirmou: "É o partido dele que tem que se solidarizar".        

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