Tucanos e pefelistas se reúnem para discutir posição diante das reformas

O PSDB e o PFL, que perderam para o governo do PT o discurso das reformas, tentam agora uma saída política que não signifique alinhamento automático ao governo nem seja contraditória comos compromissos assumidos no governo anterior. Amanhã, as bancadas desses dois principais partidos reformistas se reúnem, separadamente, para discutir as propostas e definir estratégias. Juntos, eles têm 138 deputados ? votos considerados preciosos para a aprovação das emendas constitucionais.?Somos favoráveis às reformas, mas queremos propor mudanças?, anunciou o líder do PFL,deputado José Carlos Aleluia (BA), adiantando que o partido fará um substitutivo à emenda da reforma tributária. No primeiro momento, a oposição ficou atônita com o tom duro e ousado das propostas de Lula. Agora, começa a se organizar para marcar posição perante o governo e ao eleitorado. Tucanos e pefelistas já começaram, inclusive, a discutir a possibilidade de uma ação conjunta e buscar alternativas comuns. É nesse clima que será realizado o primeiro encontro da oposição com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os convites ao PSDB e ao PFL já foram feitos e só falta acertar as datas das reuniões.A prudência inicial deste grupo de parlamentares se justifica pelodilema em que vivem: por coerência, não podem votar contra medidas que sempre defenderam mas não conseguiram viabilizar no governo Fernando Henrique Cardoso. Paradoxalmente, estarão facilitando um segundo mandato de Lula, ao votarem favoravelmente às reformas que poderão proporcionar credibilidade internacional e o retorno dos investimentos de longo prazo. Perplexos com a determinação do presidente Lula em bancar pontosimpopulares da reforma previdenciária, como a taxação dos inativos,parlamentares do PSDB insistiram no discurso de culpar o PT pelofracasso da medida no governo passado. ?Esse é um discurso frágil?, reagiu um interlocutor do presidente Lula, deixando claro que, se agir assim, o PSDB votará sempre com o governo. ?Os problemas na base aliada são passageiros?, aposta o deputado Paulo Delgado (PT-MG). Com exceção do PDT, o partido mais intransigente, o governo acha que acabará com a gritaria dos rebeldes de sua base. O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), reconhece que a reforma da Previdência do PT é ?muito mais profunda? que a apresentadapor Fernando Henrique. Ele atribuiu às pressões políticas junto àopinião pública, patrocinadas pelo PT e seus aliados, o fracasso dogoverno passado na votação da reforma previdenciária, apesar da maioria sólida que tinha Fernando Henrique.O deputado José Carlos Aleluia admitiu também que as reformas foram aquém da expectativa. Com ironia, disse, contudo, que a da Previdência só foi dura com os aposentados. Amanhã, em reunião da bancada da Câmara, o PFL ouvirá avaliação do deputado Roberto Brant (PFL-MG), sobre os pontos da reforma previdencíária. O deputado Mussa Demes (PFL-PI) também foi convidado para falar sobre a tributária. Os dois são das comissões especiais que tratam dos dois temas na Câmara. Apesar de ser favorável às reformas, o PFL não quer pressa paraaprová-las. ?Não vamos atrasar intencionalmente a votação, mas nãovamos deixar de cumprir o regimento para atender agonia de quem só agora despertou para o problema?, disse Aleluia, para quem é ?apertada? a data de 23 de julho prevista pelo governo para aprovar em primeiro turno as reformas na Câmra.Os tucanos vão se reunir também amanhã para analisar a abrangência das reformas, com a presença de técnicos e especialistas nas áreas tributária e previdenciária. Na avaliação do PSDB, o PT poderá perder eleitoralmente com as medidas já que o alvo principal da previdenciária é justamente o eleitorado petista. No entanto, admitem, nos bastidores, que a aprovação das mudanças dará fôlego ao governo e condições de recuperar a economia. Com isso, Lula poderá capitalizar politicamente os efeitos práticos das reformas. ?O PT está fazendo um colchão de proteção para reduzir a taxa dejuros?, concluiu o deputado Walter Feldman (PSDB-SP), ressaltando que, do ponto de vista econômico e fiscal, o PT e PSDB têm posições comuns.É justamente a manutenção dos instrumentos macroeconômicos pelo PT que tem agradado o PSDB, podendo inclusive aproximar os dois partidos futuramente para o campo do centro. Para o deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF), o desgaste inicial com a reforma da Previdência poderá ocorrer até mesmo pela incompreensão em relação às medidas. ?Mas quando os resultados surgirem na economia, todos vão dizer que as mudanças foram acertadas?, concluiu.

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