Tucanos e DEM brigam por relatoria da CPI das ONGs

Confusão ocorre um dia após PSDB perder para os Democratas a liderança da minoria na Câmara

Marcelo de Moraes e Denise Madueño,

22 de agosto de 2007 | 21h17

Um dia depois de divergirem por conta da indicação do novo líder da minoria na Câmara, PSDB e DEM voltaram a entrar em choque político nesta quarta-feira. A confusão, dessa vez, ocorreu no Senado, por conta da nomeação do relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das ONGs. Maior defensor da proposta, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) era nome de consenso para a função. Mas nesta tarde, depois que o DEM tomou do PSDB a liderança da minoria da Câmara, os tucanos decidiram não apoiar a indicação de Heráclito e passaram a defender que a vaga ficasse com a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO).A confusão foi suficiente para impedir que a CPI das ONGs pudesse ter sua abertura sacramentada ontem, como estava prevista. Além disso, expôs mais ainda a divergência política entre os dois principais partidos de oposição, que foram parceiros no governo federal durante os dois mandatos presidenciais de Fernando Henrique Cardoso."O DEM já ficou com a relatoria da CPI do Apagão Aéreo. O PSDB acha que tem direito a ficar agora com a relatoria da CPI das ONGs. Ou só os Democratas é que têm que ficar com todas as relatorias?", afirmou o líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio Neto (AM). "O Democratas não abre mão da relatoria da CPI das ONGs", rebateu o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), aumentando o impasse.Crise de relacionamentoA crise de relacionamento entre os dois partidos foi exposta na terça-feira quando o líder do DEM na Câmara, deputado Ônix Lorenzoni (SC), aproveitou a reunião de líderes para apresentar o deputado André de Paula (DEM-PE) como novo líder da minoria, sem comunicar ao PSDB que ocupava o cargo com Zenaldo Coutinho (PA) desde a morte do antigo líder, Júlio Redecker (PSDB-RS). Como argumento para isso, lembrou que a bancada do DEM tinha superado em número a do PSDB, o que lhe assegurava o direito de indicar o novo líder. Para os tucanos, o critério a ser levado em conta era o do tamanho das bancadas no momento da eleição, quando o PSDB tinha mais parlamentares.Outro fator aumentou ainda mais a divergência. No sábado, o deputado Gervásio Silva (SC) oficializou sua saída do DEM e se filiou ao PSDB. O DEM anunciou que vai entrar no Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir de volta o mandato do deputado, considerado infiel e notificá-lo do pagamento da multa de R$ 50 mil, que é cobrada de todos os parlamentares que foram eleitos usando a estrutura do partido e mudaram de legenda.Deputados do DEM não pouparam críticas aos tucanos durante um café da manhã com jornalistas. "Nós somos oposição em tempo integral. O PSDB faz negociações setoriais com o governo", afirmou o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC). "O PSDB é o PT rosé. Eles (tucanos) que gostam tanto de vinho, não são nem branco nem tinto, são rosé", comparou o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).O líder Lorenzoni disse que os democratas nasceram para disputar o poder e querem mostrar um novo caminho para o País. "Não podemos falar em novo caminho carregando as bandeiras tucanas. Já fizemos isso por muito tempo", afirmou. Lorenzoni lembrou que o DEM pretende disputar a presidência da República com candidato próprio. E citou que, nas próximas eleições municipais, o partido também terá candidatos próprios em todas as capitais e nas 500 maiores cidades.O fato de o PSDB tirar um deputado do DEM irritou a bancada. O deputado Paulo Bornhausen disse que o DEM em Santa Catarina ficou em posição desagradável quando tucanos foram ao Estado, no último dia 11, festejar a troca de partido do deputado Gervásio Silva. Paulo Bornhausen, que é filho do ex-senador e ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen (SC), citou a presença do líder do PSDB, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), na cerimônia de filiação de Silva. "A bancada se ressentiu. Que parceria é essa?", questionou Paulo Bornhausen.Alguns integrantes dos dois partidos temem que o problema acabe prejudicando a oposição ao governo federal. "A oposição já é minoria. Se brigar entre si, vai virar mais minoria ainda", lamentou o deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP).

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