DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Tucanos do Rio reclamam de votar em chapa única sem saber em quem

Em convenção nacional do PSDB que deve alçar Alckmin à presidência partidária, deputados criticam aliança com PMDB e dizem desconhecer nomes da nova executiva

Felipe Frazão, Daiene Cardoso, Anne Warth e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2017 | 10h31

Brasília – Dirigentes do PSDB do Rio de Janeiro reclamaram na manhã deste sábado de a votação numa chapa única para o diretório nacional do partido estar aberta sem que se saiba quais serão os componentes da cúpula partidária. Eles também cobraram o afastamento do governo Michel Temer, que chamam de impopular.

"Como é possível ter uma convenção que não tenha a lista afixada? É uma profunda decepção", disse o deputado estadual Luiz Paulo, líder da bancada na Assembleia Legislativa do Rio. Ele disse que esperava que a convenção nacional tivesse uma disputa verdadeira de chapas entre o grupo do senador Tasso Jereissati (CE) e o do governador de Goiás, Marconi Perillo. Ambos abriram mão de disputar a presidência do diretório nacional em prol do governador paulista, Geraldo Alckmin, que lança hoje informalmente sua pré-candidatura a presidente da República.

"É necessário saber se vai ser unidade mesmo ou se vai ser uma composição. Se cotinuar o partido dos cabeças-pretas e dos cabeças-brancas, eu sou careca, mas estou do lado dos cabeças-pretas. Não há por que o PSDB estar no governo do PMDB. É o partido mais impopular no Rio. E a questão local é importante", provocou Luiz Paulo.

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O ex-deputado federal Marcelo Itagiba (RJ), também delegado da Polícia Federal e ex-secretário de Segurança do Rio, exigiu que a lista com os nomes que compõem a chapa única seja distribuída para saber ao menos em quem estava votando. "Me parece que essa é uma forma errada de construir um partido e de se fazer política", disse.

Itagiba cobrou que o partido construa um "caminho limpo", sem corrupção, e disse que sempre defendeu o afastamento do senador Aécio Neves (MG), presidente licenciado do partido desde que foi acusado de pedir propina pela delação premiada dos donos da JBS. Aécio nega. 

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"O PSDB é maior que cada um de nós individualmente. O PSDB precisa ter um caminho limpo para se contrapor ao que julgamos ser a antipolítica. Não podemos ser igual aos que por lá passaram", disse Itagiba. Ele afirmou que o PSDB virou um partido "mal falado nas ruas" e "deixou de ser oposição para virar partido apêndice de uma sistuação que não se coaduna com nossas normas e objetivos programátricos".

Em sua conta no Twitter, o ex-deputado postou: "Aécio não serviu ao PSDB nem ao Brasil. Serviu-se de ambos, enxovalhou a memória do avô e deixou o PSDB em frangalhos. Como presidente, pediu propina e maculou a imagem do partido. O PSDB precisa recuperar seus ideais ou acaba igual ao PMDB."

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