Tucanos 'do bico vermelho' debatem crise em SP

A preocupação com os reflexos da crise econômica europeia sobre o mercado brasileiro está no centro das discussões do núcleo sindical do PSDB. Segundo o presidente deste núcleo, Antônio de Sousa Ramalho, o Ramalho da Construção, "a crise global já está atingindo o mercado brasileiro", por isso, é importante discutir temas como a desindustrialização, política cambial, mudanças nas regras de rendimento da caderneta de poupança e o que ele classifica de "apagão da mão de obra".

GUILHERME WALTENBERG, Agência Estado

21 de maio de 2012 | 20h40

O núcleo promove nesta terça-feira, a partir das 14 horas, na capital paulista, uma reunião para discutir a crise e seus efeitos no mercado brasileiro, além de definir as ações deste grupo, recém-criado. "O objetivo é fazer com que o nosso núcleo sindical, os chamados tucanos do bico vermelho, comecem a afiar o bico para começar a dar as suas bicadas em prol do trabalhador", disse.

A preocupação do núcleo sindical tucano está em sintonia com documento divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), braço de formulação política e econômica do PSDB. "Não é aceitável que a gestão petista demonstre tanta dificuldade para fazer o óbvio, enquanto se perde insistindo no desnecessário e no indesejável", critica o ITV. Para os tucanos, o governo da presidente Dilma Rousseff está usando "as armas erradas para fazer frente à crise que começa a se espalhar pela economia". E alegam que o arsenal utilizado pelo governo petista - o estímulo a crédito e concessão de novos benefícios a setores específicos - já está exaurido. "Enquanto isso, o que realmente deveria ser executado não o é: alavancar o investimento", adverte o PSDB.

O ITV cita também a "enxurrada de maus resultados" que corrobora as previsões nada otimistas quanto à evolução da atividade econômica do País para este ano, citando que os prognósticos mais realistas para o PIB nem chegam a 3%, contra uma projeção oficial do governo de 4,5%. E ironiza: "Diante deste cenário nada animador, o governo parece meio atônito para lidar com a situação".

Apagão de mão de obra

Ramalho, que também é vice-presidente da Força Sindical e dirigente sindical da área da construção civil, afirma que há uma inversão de prioridade nas ações do governo federal, ao defender setores específicos da indústria. "Eles (governo) estão buscando solução para as montadoras, mas não estão fazendo nada para o setor da construção civil, que gera inúmeros empregos", criticou. O encontro de terça-feira, segundo Ramalho, é também para "chamar a atenção do governo da presidente Dilma Rousseff sobre a necessidade de incluir a classe trabalhadora nas discussões dos problemas e soluções para a economia brasileira".

Para o presidente do núcleo sindical tucano, as questões relacionadas à indústria nacional "têm sido escanteadas pelo atual governo petista". Ele alega que isso provocou a avalanche de produtos asiáticos no mercado brasileiro, enfraquecendo a indústria e gerando desemprego. Programas federais como o PAC e o Minha Casa, Minha Vida também foram alvo de críticas do sindicalista. "Ajudei a desenhar os projetos, o Minha Casa, Minha Vida e o PAC. Mas, infelizmente, os projetos estão indo mais devagar do que o previsto, muitos, inclusive, correm o risco de ficar no meio do caminho".

Ramalho da Construção argumenta também que não adianta apenas o governo reduzir a Selic para tentar resolver os problemas de crédito no País. Na sua avaliação, para melhorar a conjuntura, é essencial promover equilíbrio e alavancar o investimento. "Não se pode também valorizar e nem desvalorizar tanto o real", frisou. E criticou a mudança na sistemática do rendimento das cadernetas de poupança no País, ressaltando que o governo Dilma Rousseff "deu uma garfada no bolso do trabalhador". Além disso, alerta que a falta de planejamento está levando o Brasil a enfrentar "um verdadeiro apagão no setor de mão de obra".

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