Tucanos discutem antecipar eleição do substituto de Aécio

Parlamentares do PSDB veem possibilidade como forma de 'renovar' imagem para 2018

Igor Gadelha e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2017 | 19h37

BRASÍLIA - Deputados e senadores do PSDB discutem a possibilidade de antecipar, para o segundo semestre deste ano, a eleição do substituto definitivo do senador Aécio Neves (MG) na presidência nacional do partido prevista para maio de 2018. A estratégia é tirar o tucano, que foi fortemente atingido pela delação do dono e executivos do frigorífico JBS, do foco político para que a legenda possa tentar "renovar" sua imagem para as eleições de 2018.

A articulação de parlamentares do PSDB é para eleger não só um novo presidente nacional, mas todos os outros membros das executivas nacional, estadual e municipal do partido. Os principais entusiastas da ideia são tucanos ligados ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O chefe do Executivo paulista já disse publicamente que quer ser o candidato a presidente da República da sigla no pleito de outubro do próximo ano. 

O movimento também tem apoio entre os "cabeças-pretas", como são chamados os tucanos da ala mais jovem do PSDB e que lideram o movimento pelo desembarque do partido do governo Michel Temer. Com membros do partido atingidos pela Operação Lava Jato, os cabeças-pretas têm defendido uma "renovação" do partido, com a escolha de um novo presidente que tenham uma interlocução melhor com o grupo. 

Aécio foi eleito presidente do PSDB pela primeira vez em 2013. Em 2015, foi reeleito. Seu primeiro mandato terminaria em maio deste ano. Em dezembro de 2016, em uma articulação com o grupo do senador José Serra (PSDB-SP), porém, conseguiu prorrogar seu mandato até maio de 2018, quando está prevista uma nova eleição para o comando da sigla. A extensão do mandato por mais um ano, após vencidos os dois primeiros anos, consta no estatuto do partido.

O senador mineiro, no entanto, se afastou do comando do PSDB antes do término de seu mandato como presidente da sigla. Pressionado por deputados e senadores do PSDB após ser incriminado pela delação da JBS, Aécio pediu licença do cargo em 18 de maio, mesmo dia em que sua irmã, Andrea Neves, foi presa por supostamente ter pedido propina à JBS. Para comandar o partido nesse período, ele indicou o senador Tasso Jereissati (CE).

A decisão de antecipar a eleição para o substituto definitivo de Aécio terá de ser tomada pela Executiva Nacional do PSDB. Caso a articulação se concretize, tucanos ligados a Alckmin e a Serra dizem que Tasso deve ser "naturalmente eleito". O novo presidente escolhido comandará o partido durante as convenções que escolherão os candidatos tucanos para as eleições de 2018. 

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