FHC reuniu cúpula do PSDB para definir estratégia do partido para manifestação contra Dilma
FHC reuniu cúpula do PSDB para definir estratégia do partido para manifestação contra Dilma

Tucanos definem atuação nos atos pró-impeachment

Cúpula do partido decide estimular movimento convocado para 15 de março, mas evita apoio institucional ao 'Fora Dilma'

PEDRO VENCESLAU , O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2015 | 02h01

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu nessa sexta-feira, 27, na sede do seu instituto, em São Paulo, os principais quadros do PSDB no Senado para definir a estratégia da legenda diante das manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff marcadas para o dia 15 de março.

Durante um almoço que contou com a participação dos senadores Aloysio Nunes (SP), Cássio Cunha Lima (PB), Tasso Jereissati (CE), José Serra (SP) e do presidente nacional da legenda, o também senador Aécio Neves (MG), FHC fez uma intervenção pregando que o PSDB estimule o movimento, mas mantenha distância institucional do mote "Fora Dilma".

"Tem que ficar claro que nós apoiamos, mas não somos promotores", disse o ex-presidente, segundo relatos dos participantes. De todos os participantes, o único que garantiu presença na manifestação foi Aloysio Nunes. Já Aécio e Serra disseram que não devem participar.

Os tucanos apostam que as manifestações, que estão sendo articuladas pelas redes sociais, terão grande "proporção", especialmente em São Paulo, principal reduto do PSDB. Os militantes do partido não participarão de forma organizada ou uniformizados, mas estarão no evento, que começará na Avenida Paulista. O trajeto da passeata ainda não foi definido.

"Quem defende o impeachment não está consciente dos mecanismos constitucionais. Essa bandeira representa mais a indignação das pessoas", diz Aloysio. "Eu vou participar, mas não queremos tomar conta. Trata-se de uma manifestação contra o governo e nós somos oposição", afirma o senador, que foi candidato a vice na chapa presidencial de Aécio na eleição do ano passado.

Pauta. Cunha Lima reforça a posição do colega de bancada. "Não vamos fazer pirotecnia. O impeachment não está na pauta do partido, mas essa palavra não pode ser criminalizada."

Na saída do encontro, Aécio e Serra foram escalados para falar com a imprensa. "Não é uma manifestação partidária. Temos que estabelecer esse limite, ter esse cuidado. Não será iniciativa partidária", disse o mineiro.

Diferentemente do que aconteceu nos dois movimentos pró-impeachment depois da democratização - o Fora Collor em 1992 e o Fora FHC em 1999 -, desta vez não existem partidos ou organizações do movimento social formalmente envolvidos.

O ato do dia 15 está convocado por dezenas de organizações virtuais. "Nós achamos produtivo que não seja um evento partidário, mas não somos donos da rua", diz Rogério Chequer, líder do "Vem pra Rua", o que mais aglutina os tucanos nas passeatas.

Humor. No encontro de ontem em São Paulo, os tucanos deixaram clara a estratégia de usar o humor como munição no embate político com petistas.

Aproveitando a onda de "memes" - o termo é usado para descrever um conceito que se espalha pela internet - com o mote "Foi culpa do FHC", o ex-presidente foi fotografado por Cunha Lima segurando uma folha sulfite e uma nota de R$ 2 com a frase: "Foi FHC". Terminado o almoço, o senador paraibano postou a foto em sua conta no Twitter.

Na entrevista depois do evento, Serra entrou na brincadeira ao ser questionado sobre a tentativa do PT de ampliar as investigações da CPI da Petrobrás para a gestão FHC. "Eu soube agora que vão fazer uma CPI sobre a mudança da capital do Rio para Brasília e que foi o Fernando Henrique o responsável", ironizou.

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