Tucanos boicotam Bolsa-Escola na Bahia

O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que acusou prefeitos do PT de boicotarem a Bolsa-Escola do governo federal, terá de se preocupar com dirigentes do seu próprio partido, o PSDB, na Bahia: as prefeituras dos municípios de Boa Vista do Tupim, a 318 quilômetros de Salvador, e Caldeirão Grande, a 326 quilômetros da capital baiana, administradas por prefeitos tucanos, não aceitaram a inscrição no programa de alunos matriculados em escolas da rede estadual de ensino. A recusa levou a Secretaria de Educação do Estado a pedir providências aos representantes do Ministério Público nos dois municípios, para que cerca de 650 famílias não sejam prejudicadas com a exclusão do programa. O caso também será comunicado oficialmente ao Ministério da Educação pela secretaria baiana. Em Boa Vista do Tupim, 400 famílias com filhos matriculados na rede estadual tiveram suas fichas de inscrição no Bolsa-Escola recusadas pela prefeitura, que só aceitou aluno de escola municipal. Outras 250 famílias de Caldeirão Grande, na mesma situação, também foram excluídas do programa. Cláudio Melo, superintendente de articulação municipal da Secretaria da Educação da Bahia, que ajudou todas as 417 prefeituras baianas no processo de cadastramento das famílias, revelou não ter ocorrido qualquer problema nos municípios administrados por prefeitos de outros partidos, inclusive do PT. Ele citou o exemplo de Senhor do Bonfim (cuja prefeito é petista) onde 1.400 famílias de alunos matriculados na rede estadual foram cadastrados sem problema no Bolsa-Escola. "Só está havendo boicote em Boa Vista e Caldeirão, o que está revoltando as famílias prejudicadas", disse. Os prefeitos de Boa Vista do Tupim, Élder Campos (PSDB), e de Caldeirão Grande, Sérgio Passos (PSDB), ligados politicamente ao líder do governo na Câmara dos Deputados, deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) não foram encontrados para falar sobre o caso. Uma parte do PSDB baiano, liderada por Jutahy Júnior, faz oposição ao governador César Borges (PFL).

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