Tucanos acusam Planalto de montar novo dossiê

Virgílio vai pedir convocação de Dilma para que ela aponte quem produziu levantamento de gastos do governo FHC, conforme revelou a revista 'Veja'

Expedito Filho, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2008 | 00h00

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), vai pedir na próxima semana a convocação da ministra-chefe da Casa Civil da Presidência, Dilma Rousseff, para que ela aponte quem produziu um dossiê com informações sigilosas sobre gastos realizados durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.Virgilio exigiu que todo o levantamento, ainda que clandestino, seja encaminhado ao Ministério Público Federal para investigação. "Isso é um escândalo. Vamos pedir que os dados clandestinos sejam apresentados e interpelaremos a ministra Dilma", afirmou.Reportagem da revista Veja desta semana afirma que o ex-presidente e seus familiares tiveram seus gastos bisbilhotados. O material reúne gastos pessoais do ex-presidente e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso nos anos de 1998, 2000 e 2001, todos efetuados com a chamada conta B, um fundo de despesas que antecedeu a criação dos cartões corporativos. Virgilio acusa o governo de voltar a utilizar os mesmos métodos que produziram o dossiê Vedoin - pelo qual um grupo de petistas pagaria R$ 1,75 milhão ao empresário Luiz Antônio Vedoin a fim de envolver políticos tucanos no esquema de venda de ambulâncias superfaturadas a prefeituras, a chamada máfia dos sanguessugas, durante a campanha eleitoral de 2006. Para o tucano, ao revelar gastos feitos por Ruth Cardoso, o governo tem agora a obrigação de abrir as contas da atual primeira-dama, Marisa Letícia. "Quero todos os gastos dela explicados", cobrou Virgílio. Segundo ele, o governo levantou as despesas com cartão de crédito e da conta B (compras com dinheiro público), realizadas na gestão do ex-presidente, para intimidar os representantes da oposição na CPI dos Cartões. No dossiê estariam os gastos pessoais feitos pelo presidente e sua família. Até mesmo a compra de vinhos para as recepções no Palácio da Alvorada teria sido listada como suspeita.DEVASSADe acordo com Veja, também assessores próximos de Fernando Henrique, como o ex-ministro da Justiça Aloysio Nunes Ferreira, estariam entre os investigados. A Veja afirma que Aloysio teve um gasto de R$ 1.231 com hospedagem no Copacaba Palace, no Rio, pago com dinheiro público. O ex-ministro afirma que viajou a trabalho.Parlamentares da base governista foram informados por assessores do Palácio do Planalto de que no levantamento seriam apontados gastos supostamente irregulares dos ex-ministros Paulo Renato (Educação) e Raul Jungmann (Reforma Agrária). Um parlamentar contou que existe a comprovação de gasto em uma sauna, feito por integrante do primeiro escalão do antigo governo. Do dossiê constaria ainda um documento que mistura contas de governo com eleições. Em despacho para justificar despesas com 180 garrafas de champanhe, em 1998, a assistente de orçamento Ester Freitas Gonçalves anotou que haveria um "saldo" revertido para a campanha eleitoral.O levantamento de dados começou em fevereiro, após o Estado revelar o mau uso de cartões corporativos do governo por ministros, em especial Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial - que deixou o cargo após o escândalo. Há duas semanas, parlamentares governistas foram avisados de que o governo faria uso do arsenal caso a oposição insistisse em investigar as contas de Lula e sua família. A idéia é que o material fosse utilizado para forçar um acordo entre PSDB e PT.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.