Tucano vai entrar com nova denúncia contra Sarney após áudios

Virgílio diz que gravações reveladas pelo 'Estado' mostram que presidente do Senado tinha ligação com Agaciel

Agência Brasil,

22 de julho de 2009 | 13h18

O líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (AM), vai entrar com nova denúncia no Conselho de Ética contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) com base nas gravações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo de uma conversa interceptada pela Polícia Federal entre o presidente e seu filho Fernando Sarney. As interceptações nos telefones de Fernando foram feitas, com autorização judicial, em março do ano passado.

 

Na semana passada, o jornal informou que Fernando teria pedido a Sarney para que empregasse no Senado o namorado da sua filha, Maria Beatriz. Disposto a entrar com nova denúncia, o líder tucano foi desaconselhado por sua assessoria com a alegação que não haveria fato concreto que vinculasse o presidente do Senado as conversas de Fernando Sarney com o então diretor-geral, Agaciel Maia.

 

Nesta quarta, no entanto, o líder disse que as gravações apresentadas pelo jornal já ligam o parlamentar ao ex-diretor, acusado de uma série de irregularidades administrativas, entre elas a contratação por atos secretos de parentes e pessoas ligadas a parlamentares. "Se a minha assessoria deixar pronta a denúncia, a encaminho ainda hoje ao Conselho de Ética", afirmou Arthur Virgílio.

 

somDiálogo 1 (30/3/2008 - 15h14min04s): Neta do presidente do Senado negocia com o pai, Fernando Sarney, cargo para o namorado na Casa

 

som  Diálogo 2 (31/3/2008 - 11h34min54s): Neta do presidente do Senado negocia com o pai, Fernando Sarney, cargo para o namorado na Casa

 

som  Diálogo 3 (01/4/2008 - 15h57min00s): Neta do presidente do Senado negocia com o pai, Fernando Sarney, cargo para namorado na Casa

 

som  Diálogo 4 (01/4/2008 - 21h00min53s): Neta do presidente do Senado negocia com o pai, Fernando Sarney, cargo para o namorado na Casa

 

som  Diálogo 5 (02/4/2008 - 09h36min17s): Filho do presidente do Senado, Fernando Sarney, tenta agilizar a contratação do namorado da filha

 

som  Diálogo 6 (02/4/2008 - 10h32min21s): Filho do presidente do Senado, Fernando Sarney, fala com o pai e  pede que ele dê "uma palavrinha com Agaciel" para a contratação e os dois conversam sobre "negócio da TV"

 

som  Diálogo 7 (25/03/2008 - 19h31min29s): Filho do presidente do Senado, Fernando Sarney, conversa com o filho João Fernando sobre o emprego dele como funcionário do senador Epitácio Cafeteira

 

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), por sua vez, defende que os partidos passem a reforçar as representações contra Sarney no Conselho de Ética não deixando mais esta incumbência somente ao PSOL. "A partir de agora esta briga não pode ser apenas do PSOL, mas de outros partidos", afirmou o pedetista que já conversou com a direção de seu partido sobre o assunto.

 

Ele também foi duro ao comentar a possibilidade de o presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), arquivar as denúncias e a representação contra o presidente do Senado. Segundo Buarque "o senador Duque não tem o direito de não levar esta decisão ao plenário (do conselho)". Para ele, o arquivamento seria "uma bofetada na cara do cidadão".

 

O vice-líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), não descarta a possibilidade de, na eventualidade de arquivamento da representação e das denúncias, esta decisão ser encaminhada ao plenário do Senado. Neste caso, disse ele, haverá uma "guerra regimental" uma vez que aliados do presidente consideram que a decisão do Conselho de Ética é soberana.

 

Aliados de Sarney evitaram comentar a situação cada vez mais delicada pela qual passa o presidente do Senado. O líder do PTB, Gim Argelo (DF), por exemplo, argumentou que, por ser membro do conselho e portanto juiz na apreciação das denúncias e da representação, não poderia tecer um juízo de valor sobre o assunto. Já o tucano Papaléo Paes (AP) reconheceu apenas que a situação de José Sarney "está ficando cada vez mais delicada".

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