Tucano vai a ato petista e cria mal-estar no PSDB

Esta quinta feira foi mais um dia de desconfianças e lutas internas no PSDB, provocadas pela ida do líder do partido na Câmara, deputado Antônio Carlos Pannunzio (SP), a uma reunião do PMDB de apoio a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (SP), então candidato do PT a presidência da Câmara, realizada em uma churrascaria de Brasília. A participação de Pannunzio levou o senador Arthur Virgílio, líder tucano no Senado, a pedir uma reunião de emergência com o senador Tasso Jereissati, presidente do PSDB, para saber quais as razões que levaram o deputado a confraternizar-se com os adversários da candidatura de Gustavo Fruet (PR), candidato do PSDB, apoiado pelo grupo "Terceira Via". Para Arthur Virgílio, a manobra de Pannunzio colocou em risco a candidatura de Fruet e era um sinal trocado não somente para os próprios tucanos, mas principalmente para os deputados dos outros partidos que tinham a intenção de votar no deputado paranaense. "A eleição do presidente da Câmara não é só uma questão dos deputados, mas uma questão que interessa a todo o povo brasileiro. E nós já nos posicionamos a favor de um candidato que é do nosso partido e não cabem gestos como esse do nosso líder. Eu vou falar com o Tasso ( Jereissati, presidente do PSDB) e vamos perguntar ao deputado sobre a sua ida ao ato de apoio a Chinaglia. Isso derruba o Fruet", reagiu Arthur Virgílio com irritação. Ao tomar conhecimento da reação do senador, Pannunzio negou ter participado de ato de apoio a Chinaglia. Ele confirmou que esteve em uma reunião com parlamentares do PMDB, para a qual teria sido convidado pelo líder do partido Wilson Santiago. E criticou Arthur Virgílio por não ter se dado ao trabalho de dar um telefonema para ouvi-lo a respeito da sua participação no episódio. "Tenho respeito pelo líder do Senado, mas lamento o fato dele ter preferido falar a imprensa ao invés de falar comigo pelo telefone. Não tive em uma reunião pró-Chinaglia, mas a uma reunião do PMDB, para qual fui convidado. Ou vir o líder Wilson Santiago e fiz questão de cumprimentar Chinaglia. Outros líderes de oposição, como o do PV, também estavam presentes", defendeu-se. O fato é que a ida do líder tucano ao encontro chegou a surpreender até a petista e peemedebistas. Um deputado do PMDB, que preferiu não se identificar, contou que a presença de Pannunzio foi recebida como uma demonstração de força da candidatura Chinaglia. Politicamente, a idéia era que um grupo de deputados do partido participasse do encontro, mas Pannunzio não teria conseguido convencer os colegas a participarem dos festejos. Ainda assim, abriu-se, ao longo da votação, um clima de suspeição em torno de parte da bancada do PSDB, alinhada ao governador de São Paulo, José Serra. Eles estariam supostamente votando com Chinaglia, apesar das manifestações de apoio à candidatura Fruet. Reação de Jereissati O presidente do PSDB, Tasso Jereissati, e o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) vão chamar o líder do PSDB na Câmara, para uma conversa, assim que terminar a votação para a presidência do Senado. Eles querem saber o que levou Pannunzio a participar do jantar em apoio à candidatura do petista Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara. Na avaliação de Jereissati e de Virgílio, a presença de Pannunzio no jantar enfraqueceu a candidatura do tucano Gustavo Fruet.

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