Tucano é hostilizado depois de criticar radicais em ato

Xico Graziano é chamado de 'comunista' por se posicionar contra quem prega impeachment ou intervenção militar

Mateus Coutinho, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2014 | 02h05

Ex-integrante da campanha de Aécio Neves ao Palácio do Planalto e colaborador do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o também tucano Xico Graziano passou a ser hostilizado nas redes sociais após publicar um texto em que se diz contra manifestações pelo impeachment da presidente reeleita Dilma Rousseff ou por intervenção militar contra o regime democrático, vistas em uma manifestação no sábado, em São Paulo.

Graziano evitou alimentar a polêmica com internautas que o chamaram de "comunista" e se limitou a reproduzir link de uma reportagem da revista Carta Capital sobre seu posicionamento sob o comentário "Bobagem histérica".

O imbróglio teve início no domingo, quando o tucano fez um comentário contra iniciativas por impeachment ou por intervenção militar contra o governo Dilma, ao postar reportagem do portal estadão.com.br sobre a manifestação do sábado.

Na segunda-feira, Graziano escreveu um post no qual dizia ter mexido num "vespeiro" e lembrava que o PSDB tinha origem no "MDB autêntico", que combateu os 21 anos de regime militar. "Quem concordar com as teses dessa turma aguerrida que vê o comunismo chegando, é contra os benefícios sociais, sonha com a ordem militar, por favor, deixem o PSDB. Vocês é que estão no lugar errado, não eu!", encerrava o texto, compartilhado por quase 4 mil pessoas.

Ao mesmo tempo em que recebeu mensagens de apoio pela crítica a quem defende impeachment ou intervenção militar, Graziano foi novamente alvo de internautas. Entre afirmações de que seria "comunista" ou "petista", o ex-chefe de gabinete de FHC também viu comentários de que o PSDB não saberia fazer oposição.

Graziano foi um dos primeiros tucanos a rejeitar a associação com medidas radicais contra o governo Dilma, que dará início ao quarto mandato consecutivo do PT no Planalto em janeiro. Dirigentes do PSDB disseram não ser responsáveis nem pela manifestação pelo impeachment nem por defesa de intervenção militar já no fim de semana.

Na segunda-feira, foi a vez de o governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, rejeitar a associação a qualquer iniciativa contra a democracia. Ontem, ao retornar ao Senado após a campanha presidencial, Aécio também disse que fará "oposição veemente" a qualquer retrocesso em relação ao regime democrático.

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