André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Tucano é eleito relator do impeachment no Senado

Governistas tentaram barrar confirmação no nome de Antonio Anastasia na comissão, que é presidida pelo peemedebista Raimundo Lira

Isabela Bonfim e Luísa Martins, O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2016 | 13h15

BRASÍLIA - Após mais de duas horas de discussão, os senadores da comissão especial do impeachment confirmaram a indicação de Antonio Anastasia (PSDB-MG) como relator do processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff. O mineiro foi indicado pelo Bloco de Oposição, o segundo maior do Senado, mas sofreu resistência dos governistas, que questionaram a isenção de seu posicionamento, abertamente favorável ao impeachment. Eleito por acalamação no início da sessão presidente da comissão, Raimundo Lira (PMDB-PB) confirmou a votação do parecer no dia 6 de maio

Desde segunda-feira, 25, senadores da base apresentaram questões de ordem pedindo a substituição de Anastasia. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deixou a decisão para a comissão especial do impeachment. Como adiantou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, Lira não tinha qualquer intenção de barrar a indicação de Anastasia.

Ao chegar à reunião, o peemedebista confirmou que não havia "espaço" para discutir o nome do relator. Ele deu parecer contrário aos questionamentos levantados pelos governistas, mas permitiu que os demais senadores do colegiado votassem. Em clara minoria na comissão, os governistas foram derrotados. Apenas os quatro senadores do PT e a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) votaram contra a indicação de Anastasia.

Para o líder do governo, Humberto Costa (PT-PE), a "comissão começou mal". "Não seria adequado termos um relator do PSDB, que patrocina essa causa", disse o petista, sobre a possibilidade de afastamento da presidente Dilma. "Não é nada pessoal, temos respeito pelo senador Anastasia, mas ele não é o único senador capaz."

"Estão colocando sob suspeição o nome de Anastasia somente por ele ser do PSDB, sendo que o beneficiário direto do impeachment é o PMDB. Ou seja, é implicância pura", acusou o senador Zezé Perrella (PTB-MG). Já o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) defendeu a imparcialidade do relator e sua capacidade de mudar de posição. "Não vejo o menor problema em ter Anastasia como relator. Ele pode vir com uma posição e, ao ouvir situação, oposição e defesa, se convencer de outra", argumentou.

Diferentemente de outras reuniões do Senado, a primeira audiência do impeachment começou com ânimos acirrados. Nervosos, os senadores tiveram dificuldade de respeitar a fala uns dos outros. A discussão quanto à indicação de Anastasia se delongou e muitos senadores pediram a palavra. Não havia, entretanto, interesse de reverter a situação por parte dos demais senadores e o governo estava, claramente, derrotado desde o início da reunião.

Tema do debate, o senador Anastasia manteve a discrição. Ele não entrou na discussão para defender sua indicação e foi um dos poucos senadores a se manter em silêncio. 

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