Tucanato se move para reduzir impacto da ação de Kassab

Enquanto PSDB espera intervenção do DEM no diretório paulista, Planalto tenta atrair novo partido para base aliada

Julia Duailibi, de O Estado de S. Paulo

22 de março de 2011 | 23h00

No dia seguinte ao lançamento do PSD (Partido Social Democrático), tucanos paulistas começaram a se articular para diminuir o impacto eleitoral da legenda recém-anunciada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, enquanto o Palácio do Planalto se prepara para trazer a nova legenda para a base aliada do governo.

 

"Quero reunir os integrantes do PSD para discutir a entrada deles na base do governo, inclusive a tática em plenário", disse o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT), que pretende chamar o deputado Guilherme Campos, que assinou a ficha de inscrição no PSD, para conversar ainda nesta semana.

 

O PT municipal, no entanto, não quer uma aproximação com Kassab. "O diretório estadual formalmente endossou a postura de oposição. O nacional, informalmente. Não temos motivo para sair da oposição", afirmou o vereador Antonio Donato.

 

Tucanos paulistas conversaram com lideranças do DEM nacional na expectativa de que haja uma decisão pró-intervenção no diretório estadual do partido, do qual Kassab ainda detém controle. Na quinta-feira, 24, haverá reunião da executiva nacional do DEM, em Brasília para discutir a questão.

 

O deputado Rodrigo Garcia (DEM-SP), que resolveu ficar no partido, tem mantido pontes com o Palácio dos Bandeirantes e é uma das alternativas para tocar a legenda no Estado, embora haja tucanos que vejam com desconfiança a indicação dele, em razão da amizade com o prefeito. Na semana passada, ele esteve com Alckmin para falar da decisão de ficar no DEM. Na segunda-feira, 21, reuniu-se com o secretário da Casa Civil, Sidney Beraldo, e com deputados estaduais: dos oito parlamentares do DEM, sete devem ficar no partido.

 

Em almoço com a bancada paulista do PSDB nessa terça-feira, 22, deputados fizeram o balanço do lançamento da nova legenda. "Não sabemos ainda a extensão disso, quem irá acompanhá-lo, quais serão as alianças", afirmou o líder do PSDB, Duarte Nogueira.

 

Apesar de o vice-governador, Guilherme Afif Domingos, ter dito que no PSD pretende marchar junto com os tucanos na eleição de 2012, as declarações de Kassab falando de aproximação com o governo federal aumentaram a apreensão no Palácio dos Bandeirantes sobre os rumos da sigla.

 

Aliado de Geraldo Alckmin, o deputado estadual Campos Machado (PTB) pretende questionar o uso da sigla PSD na Justiça. Ele alega que uma legenda com o mesmo nome foi incorporada pelo PTB em 2003 e que aspectos fiscais e contábeis não foram resolvidos e seguem pendentes.

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